General Azevedo e Silva abandona o laranjal

Pelo jeito, Azevedo e Silva não conseguiu "preservar as Forças Armadas". O desgaste dos militares só cresceu nos últimos meses – principalmente com o avanço da pandemia e da crise política, econômica e social. O vírus (Covid) e o verme (Bolsonaro) enlamearam a imagem dos milicos. Agora, ele sai “na certeza da missão cumprida”. Será?

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O laranjal de Jair Bolsonaro parece que está se desintegrando. Na semana retrasada, caiu o Eduardo "Pesadelo", o incompetente general da Saúde. Já nesta fatídica segunda-feira (29), mais dois ministros anunciaram suas saídas. Um já era esperado – o patético chanceler "Beato Araújo". O outro é uma surpresa: o general Fernando Azevedo e Silva.

O influente militar deixa o cargo de Ministro da Defesa sem explicar os motivos. Em uma nota lacônica, ele apenas agradeceu ao capitão-presidente, "a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos", e afirmou que "preservei as Forças Armadas como instituições de Estado". Será mesmo?

A saída do general pegou de surpresa o mundo político e toda a mídia. Ainda não dá para calcular o real significado da decisão. Mas a suspeita é de que a crise se agrava no governo, com consequências imprevisíveis. Azevedo e Silva não era qualquer olavete – seguidor do filósofo de orifícios Olavo de Caralho – no laranjal bolsonariano.

Relações conturbadas no governo

Como registra o site G1, o milico "foi anunciado como ministro ainda durante a transição de governo, em 2018... Ele foi chefe do Estado-Maior do Exército, um dos postos de maior prestígio na Força, e passou à reserva em 2018". Antes de virar ministro, ele assessorou Dias Toffoli, então presidente acovardado do Supremo Tribunal Federal (STF).

Azevedo e Silva chefiou por dois anos e três meses o Ministério da Defesa – ao qual se vinculam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. No período, Jair Bolsonaro manteve o hábito de visitar com frequência a sede da pasta, na Esplanada dos Ministérios, e priorizou os gastos na área militar, privilegiando a corporação com muito cargos no governo e muitos recursos.

O site ainda realça que esse período "também foi marcado por declarações de Bolsonaro, comandante em chefe das Forças Armadas, que insinuavam rupturas institucionais. O presidente chegou a participar de ato antidemocrático em frente ao quartel-general do Exército em Brasília".

"Certeza de missão cumprida". Será?

Considerado um ministro discreto, o general "tentava se equilibrar entre a vinculação do governo com as Forças Armadas – já que Bolsonaro colocou parte da Esplanada e das estatais nas mãos de militares – e falas oficiais minimizando o risco de politização ou radicalização das tropas".

Pelo jeito, Azevedo e Silva não conseguiu "preservar as Forças Armadas". O desgaste dos militares só cresceu nos últimos meses – principalmente com o avanço da pandemia e da crise política, econômica e social. O vírus (Covid) e o verme (Bolsonaro) enlamearam a imagem dos milicos. Agora, ele sai “na certeza da missão cumprida”. Será?

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