Haddad na frente – e o fracasso de Doria em São Paulo

"Sim, Lula transfere votos para Haddad na disputa estadual, mas o ex-ministro da Educação mostra brilho próprio", escreve o jornalista Rodrigo Vianna

Fernando Haddad e João Doria
Fernando Haddad e João Doria (Foto: Agência Brasil)


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Por Rodrigo Vianna

Dois fatos chamam atenção na pesquisa IPESPE divulgada nesta sexta (18/02), ouvindo apenas eleitores do estado de São Paulo:

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- Fernando Haddad (PT) amplia o favoritismo, nos cenários hoje muito prováveis em que Alckmin não entra na disputa estadual;

- João Dória (PSDB) enfrenta obstáculos quase irreversíveis para recuperar sua imagem, e isso pode colocar em xeque também as pretensões do neotucano Rodrigo Garcia na disputa pelo governo paulista.

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A situação de Haddad está mais clara: tem bom currículo (prefeito, ministro, candidato a presidente), formação sólida e apoio de um cabo eleitoral decisivo - Lula.

O ex-presidente aparece hoje à frente de Bolsonaro nas preferências do eleitor paulista (34% a 26%, no primeiro turno, aponta o IPESPE). Dória vive situação trágica, com apenas 5% de intenções de voto para presidente no estado que governa.

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Sim, Lula transfere votos para Haddad na disputa estadual, mas o ex-ministro da Educação mostra brilho próprio já que aparece até mais bem colocado para governador do que o próprio Lula para presidente.

Quando o instituto, na pesquisa estimulada, apresenta os candidatos ao governo de São Paulo acompanhados de seus respectivos apoiadores, a situação no primeiro turno fica assim:

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LISTA 5/IPESPE

Haddad, apoiado por Lula e Alckmin - 38% 

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Tarcísio, apoiado por Jair Bolsonaro - 25%

Rodrigo Garcia, apoiado por Dória - 10%

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Mesmo quando saem os nomes dos apoiadores (e apesar da dispersão de candidatos à esquerda), Haddad mostra força:

LISTA 2/IPESPE 

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Haddad - 28%

França - 18%  

Boulos - 11%

Tarcísio -10%

Garcia - 5%


A pesquisa aumenta as pressões para que Boulos e especialmente França/PSB apoiem Haddad já no primeiro turno. 

Importante observar: Haddad tem rejeição de 52%, que precisa ser reduzida para evitar uma virada num possível segundo turno contra o bolsonarista Tarcísio (menos conhecido e menos rejeitado que o petista em São Paulo). Esse, aliás, é o argumento que resta a Márcio França (PSB) para justificar sua candidatura: tem menos votos, mas tem menos rejeição que Haddad.

De todo jeito, nunca um candidato do PT esteve tão bem posicionado para uma eleição ao governo de São Paulo. Isso é fato.

Outro fato: nunca um governador do PSDB viveu situação tão humilhante.

João Dória, e isso é o mais surpreendente, tem um governo menos rejeitado pelos paulistas do que a gestão federal de Bolsonaro:   

Dória - 24% de ótimo/bom, 38% de regular, 36% de ruim/péssimo.

Bolsonaro - 24% de ótimo/bom, 19% de regular e 56% de ruim/péssimo.

A gestão do tucano, aponta o IPESPE, é bem avaliada na gestão da pandemia (o que é justo, já que Dória teve comportamento responsável no tema das vacinas).

Dória, e aqui arrisco uma hipótese, parece padecer do mesmo mal que Marta no passado. A então prefeita de São Paulo fazia uma gestão bem avaliada nas periferias, mas foi derrotada na reeleição em 2004 por causa de sua imagem pessoal - que muitos associavam à arrogância e prepotência.

O tucano não faz um governo tão mal avaliado, a ponto de explicar os parcos índices de voto - dele e de Rodrigo Garcia. Parece ter colado em Dória a imagem de individualista (joga sozinho na política, sem levar em conta as lealdades partidárias) e traidor.

Primeiro, traiu o eleitor e abandonou a Prefeitura antes da hora; depois, traiu Alckmin para embarcar no Bolsodória de 2018; por fim, traiu Bolsonaro para construir sua candidatura.

A derrota tucana em São Paulo parece certa. A dúvida é se o PT conquistará o governo paulista pela primeira vez desde sua fundação, ou se o bolsonarista Tarcísio poderá ser o herdeiro do velho conservadorismo paulista de Ademar/Janio/Maluf: essa cadeira está vaga.   

A popularidade de Lula ajuda Haddad. Mas o ex-ministro petista terá que se mostrar confiável ao eleitor, especialmente no interior do Estado, tantas vezes refratário aos progressistas. França e Alckmin podem ter papel fundamental nesse movimento, no segundo turno paulista.

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