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Marcia Tiburi

Professora de Filosofia, escritora, artista visual

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Igreja como negócio e igreja como extorsão: o que fazer diante do mercado da fé?

"Não há argumento racional, político ou ético que se possa alegar contra o pagamento de impostos por parte de líderes religiosos", diz Marcia Tiburi

(Foto: Reprodução)
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A norma que dava isenção fiscal a líderes religiosos foi derrubada pela Receita Federal há alguns dias. A isenção, concedida por Bolsonaro, colocou pastores em guerra contra o governo que, na verdade, não pode fazer nada diferente se quiser colocar a democracia em prática. 

Todo cidadão paga impostos, ou seja, também os fiéis das igrejas pagam impostos e os pastores e padres não são diferentes até porque vivem do dinheiro dos fiéis. Não há argumento racional, político ou ético que se possa alegar contra o pagamento de impostos por parte de líderes religiosos que não possa ser usado por qualquer outro cidadão para deixar de pagar os seus próprios impostos. 

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Para além disso, as igrejas tem assumido sua vocação empresarial, há muito tempo se fala em igrejas de mercado que tem escondido o que de fato fazem que é comercializar a fé, transformando Deus e Jesus em uma mercadoria barata. O que Jesus Cristo chamou de “vendilhões do templo” nunca deixaram de existir, aliás eles se especializaram. Vemos pastores usando caríssimas roupas de marca, comprando carros luxuosos, casas luxuosas, tudo com o dinheiro dos fiéis que, na maioria das vezes, são coagidos ou chantageados a pagar o dízimo e o fazem com muito sacrifício. 

Há poucos dias uma pastora, cujo investimento em estética corporal e facial deve ter custado muito dinheiro dos fiéis que pagam atualmente as igrejas com pix, pedia valores relacionados à idade das pessoas, quem tem 18 anos paga 18, quem tem 40 paga 40, e assim por diante. Ela criou o milagre da idade, um golpe de marketing em que a fé é manipulada teopsiquicamente sem vergonha nenhuma. Um pastor, igualmente tatuado e sarado, vendendo-se como “macho”, criou justamente uma igreja para “machos” em que pretende restaurar o que seria o “macho bíblico”. 

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O pastor inaugura o pós-fundamentalismo estético, pois até onde se pode ler na Bíblia, as indumentárias eram bem diferentes. Com sua “machonaria” ele passa a fazer parte de um nível avançado da performance do ridículo político, tendência maior da política rebaixada à publicidade e, também ela, a mercado. Ou o Brasil assume o Estado Laico, ou não haverá país nenhum.

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