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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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Lula e a reconstrução dos afetos

'Lula expressou uma compaixão verdadeira e as pessoas percebem que o presidente compartilha a dor delas', escreve o jornalista Florestan Fernandes Jr.

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Lula visita abrigo em São Leopoldo (RS) (Foto: RICARDO STUCKERT / PR)
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O escritor tcheco Milan Kundera, em sua Insustentável Leveza do Ser, um dos principais romances do século XX, escreveu sobre a etimologia da palavra compaixão. Segundo o autor, nos idiomas de origem latina, compaixão tem conotação de piedade e por vezes passa por um sentimento de ordem menor. Já nos idiomas de origem germânica, tem um sentido mais amplo: de sentir junto a mesma experiência, de co-sentir, de experimentar a mais elevada capacidade de imaginação afetiva – a “telepatia das emoções”.

Na quarta-feira (15/05), em meio a tantas cenas de destruição e dor, uma imagem me marcou profundamente: a do presidente Lula em um abrigo na cidade de São Leopoldo, entre as vítimas da enchente. Pessoas destroçadas pela tragédia climática, querendo abraçá-lo, tocá-lo.

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Como eu disse, o sentimento de identificação era palpável ali. Aquelas pessoas são como as próprias origens do presidente. E isso não foi esquecido em seu discurso, quando Lula reconheceu, ao falar das enchentes que enfrentou na casa da dona Lindú: “Nas minhas enchentes a água vinha, inundava a casa. Depois de umas quatro ou cinco horas, ia embora e ficava um palmo de lama. A gente tinha que limpar a casa e se livrar das sanguessugas enormes. Tinha que jogar álcool ou cachaça vagabunda pra matar as sanguessugas. Quando estava tudo limpo, vinha outra chuva e enchia a casa outra vez. Mas a chuva ia embora. Essa aqui no Rio Grande do Sul não vai embora. Então é uma coisa ainda mais sofrida.” Lula expressou uma compaixão verdadeira, que é fácil de identificar.

Refletindo aqui sobre o comportamento daqueles homens, mulheres e crianças que tanto perderam, e que naquele momento estavam em situação de absoluta vulnerabilidade, penso que a explicação para as manifestações afetivas esteja em duas palavras: empatia e identificação. As pessoas percebem que Lula compartilha a dor delas. Enxergam nele alguém que compreende e que, portanto, é capaz de se identificar, de se pôr na pele do outro, de co-sentir o sofrimento. Lula tem essa capacidade de ser e se mostrar humano.

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O fato é que o comportamento de Lula não deveria ser tratado como uma especialidade, pois deveria expressar uma normalidade esperada de quem é minimamente humano. Ocorre que o que deveria ser uma normalidade esperada, depois de quatro anos de barbaridade, agora nos comove. Permanece viva na memória de todos nós o “não sou coveiro”, os passeios de jet ski nas praias catarinenses em meio à tragédia das chuvas na Bahia, em 2021 e de tantas outras manifestações de descaso com a dores dos brasileiros. A comparação é inevitável. Também inevitável pensar que pais, mães, filhos, maridos, mulheres, irmãos, amigos poderiam estar vivos hoje, caso fosse Lula o presidente em 2020.

É preciso resgatar o sentimento de afeto, de bondade e compreensão que foi ferido profundamente nas nossas almas nos últimos anos.

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É necessário que esse comportamento do presidente seja realçado pela mídia, pelos meios de comunicação. É fundamental que não se repita a completa ausência de destaque à fala final de Lula, na quarta-feira passada, no Rio Grande do Sul e que transcrevo aqui: “Hoje é um dia feliz. Feliz porque nós conseguimos aprovar medidas importantes para os desabrigados. Não é nenhum favor. É uma necessidade a gente olhar todos os 203 milhões de brasileiros como verdadeiros irmãos: pobres, ricos, pretos ou brancos, baixo ou alto, gordo ou magro. Todos nós temos que aprender a respeitar as pessoas como elas são. E ajudar sempre os mais necessitados.”

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