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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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Lula entre sustos e acertos

'O presidente da República tenta reduzir a fervura entre os poderes, e barrar propostas desfavoráveis ao governo', escreve a jornalista Denise Assis

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)
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Ao mirarmos para o enfrentamento do Congresso ao Executivo, devemos ter em mente um nome: o do general Luiz Eduardo Ramos. É dele o legado da bagunça nas emendas e a estrada larga para os desmandos e chantagens. Foi ele o criador da “engenharia” do orçamento secreto, enquanto inquilino da pasta da Secretaria Geral da Presidência, no desgoverno anterior.

Para os que não se lembram, ou não ligam o nome à pessoa, trata-se daquele general que precisou sair de quatro, do Planalto, escondido por vasos de samambaias, durante a pandemia, para tomar vacina. Não queria perder o título – àquela altura honorífico -, de negacionista, mas tampouco arriscar a pele para a Covid-19, que grassava em torno de si, onde “vacina” significava omissão e palavrão.

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Como desgraça pouca é bobagem, enquanto o general Ramos saiu de cena, de fininho, antes que pudesse, tal como seus pares, ser arrolado em processos do golpe, outra figura de triste lembrança em Brasília, voltou a circular na cena política. Eduardo Cunha, o criador das pautas-bomba, tem dado expediente no Congresso, no gabinete da filha que, apesar de eleita, parece delegar ao pai as atividades do mandato.

Juntando-se a desgraça das manobras nas emendas, com a fórmula de obstáculos financeiros criados por Cunha, temos aí um pedregulho para o governo ultrapassar. Com habilidade e experiência, o presidente Lula já contornou a questão das emendas colocando-as nas mãos do desafeto do presidente da Câmara, Alexandre Padilha. Lira corcoveou, estrebuchou, mas o máximo que conseguiu foi uma visita/surpresa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e um papo amistoso com o seu interlocutor mais viável, no momento, o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

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Lira tem demonstrado que não está morto, mas não desfruta mais do absolutismo de antes. Meio desidratado, mas ainda com um ano pela frente, em que terá de se dividir entre fazer a campanha do sucessor, e as eleições municipais – quando precisará empurrar a parentalha/candidata – em seu reduto eleitoral, ele sabe que perdeu parte das asas e seu voo está mais curto.

Para contornar as ameaças de CPIs - vindas do presidente da Câmara, que já andou espalhando que não falou a sério, e até desistiu de brincar disso -, o   presidente Lula se reuniu nesta sexta-feira, 19, com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e os líderes do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e na Câmara, José Guimarães (PT-CE.

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O presidente procurou dar ao encontro, ares de mais um, de rotina, mas ficou evidente que se trata de uma tentativa de alinhar com os seus, os últimos acontecimentos desta semana na relação com o Congresso. Ele que esteve fora, em visita oficial à Colômbia, quis conversar também com os ministros mais próximos: da Casa Civil, Rui Costa, e da Comunicação Social da Presidência, Paulo Pimenta.

O encontro é, na verdade, a busca de saídas para a redução da fervura entre os poderes e traçar estratégias que possam barrar as propostas desfavoráveis ao governo, como a da Emenda à Constituição (PEC) do Quinquênio, aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado nesta semana, e que está pronta para começar a tramitar no plenário da Casa. Uma “pauta-bomba” em andamento no Congresso, de R$ 70 bilhões, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entrará em campo para desarmar.

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A semana foi pródiga em dificuldades desse nível. Uma delas, o retrocesso proposto por requerimento de autoria da deputada Adriana Ventura (Novo-SP), que susta a regulamentação da lei da igualdade salarial. O requerimento chegou a entrar na pauta do plenário, mas acabou sendo retirado, após acordo do governo com Arthur Lira (PP-AL), em almoço com Rui Costa, na quarta-feira (17). A próxima semana se anuncia de acertos, mas haja Rivotril!

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