Lula responde a Moro com bom humor

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(Foto: Alex Solnik)


Com essa o Moro não contava!

Depois de quatro horas de interrogatório ao qual foi levado por "condução coercitiva" tudo o que Moro não esperava era ver Lula relatar o que aconteceu numa entrevista coletiva cuja marca foi o bom humor e não o rancor.

Bendito Lula!

Poucas horas antes, quando a notícia de que ele tinha sido levado de casa num camburão da Polícia Federal, nuvens negras surgiram no ceú. A única certeza era que poderia acontecer tudo.

Alguns acharam o clima parecido ao do discurso de Jango na Central do Brasil, dias depois do qual ele foi deposto.

Forças de um lado e de outro prometeram ir às ruas ainda hoje, umas querendo tirar Lula da prisão, outros querendo mantê-lo preso.

As previsões passaram de pessimistas a fatalistas.

Quando no começo da tarde fotos mostravam Lula conversando com deputados, liberado pela Polícia Federal veio o primeiro suspiro de alívio.

O lance seguinte foi totalmente inédito em qualquer situação comandada pela Lava Jato.

Lula resolveu falar em público, de improviso, a respeito do que aconteceu. Quebrando, assim, o pretenso sigilo do depoimento.

"Perguntaram as mesmas coisas que já tinham perguntado" ele declarou, sem nenhuma amargura, nenhum abatimento nem sentimento de vingança.

Protestou, é claro, contra a operação, mas admitiu que os policiais foram muito gentis.

"Me senti um prisioneiro" reconheceu.

Também revelou que lhe perguntaram sobre as MPs. "É coisa que não se pergunta a presidente, mas aos deputados" disse ele.

Falou de peito aberto sobre as palestras. "Ganho mais que o Bill Clinton. Paga quem quiser".

Fez blague sobre a insistência em dizerem que o sítio de Atibaia é seu:

"Alguém vai ter que me dar um sítio! A Globo vai ter que me dar um sítio em Paraty"!

À medida que falava no meio daquelas nuvens que toldaram o céu de manhã abriam-se frestas por onde passava o sol.

Contou que lhe fizeram perguntas sobre vinhos e ele aproveitou para contar que um acessório para vinho que tinha ganho de Marco Aurélio Garcia a sua mulher transformou em vaso de flores "de tanto que eu conheço vinho".

Admitiu que estava ofendido, que merecia mais respeito, mas não colocou um só galho na fogueira que os incendiários preparavam.

E observou que há um ano não deixam a presidente Dilma governar.

Para encerrar disse:

"Quiseram bater na cabeça da jararaca mas acertaram o rabo e a jararaca está viva como sempre esteve".

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