Marina Silva pode ser a próxima Presidente da República?

Uma coisa eu tenho certo: Marina é um bom ser humano e tem ótimos projetos, todavia, ainda é fraca emocionalmente, e não tem equilíbrio para pegar o bastão e governar esse complexo e gigante Brasil

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Marina Silva pode ser a próxima Presidente da República? (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)


Até poucos dias atrás eu tinha absoluta certeza que não: não havia qualquer chance para a Marina Silva ser a Presidente da República. Aliás, não entendia qual era o devaneio da Rede em lançá-la a tão alto cargo numa disputa já bastante cristalizada, polarizada em que, para um lado do País, o candidato das Políticas Públicas, o Lula; e ao outro, o candidato do Mercado, o Alckmin; tendo num terceiro vértice, o candidato da extrema direita e do ultraconservadorismo, o Bolsonaro. No máximo à ex-seringueira restaria uma vaga ao Senado Federal para ser a voz do Meio Ambiente no parlamento. Porém, começo a ter dúvidas se Marina não pode se consolidar nos próximos dias e ir para o Segundo Turno das eleições à Presidência.

Explico!

Lula é de longe o preferido do eleitor. Todas as pesquisas já o apontam como eleito potencialmente no Primeiro Turno. Talvez! No entanto, o Mercado fez uma escolha esquizofrênica para seu candidato: o "picolé do chuchu" que governou São Paulo por tantos mandados, Geraldo Alckmin, há meses recebendo as benevolências da grande mídia nacional, não consegue chegar aos 2 dígitos nas pesquisas eleitorais. Mesmo com a "bucha de canhão" que o Mercado colocou para dar um drible no eleitor, o Henrique Meirelles, que deveria desvincular o PSDB do bandido do Michel Temer, nada disse elevou Alckmin a lugar algum no limbo eleitoral. Ou seja: o Mercado, as castas do Judiciário e as elites deste País estão angustiadas; sem algo viável para emplacar como Presidente de suas agendas egoístas.

Bolsonaro? O extremismo do candidato o afasta do racional. O candidato das armas (e da violência) chegou a seu limite nas pesquisas e não passará dos 20% nas urnas. E é perceptível nas entrevistas o seu desespero: já sabe que corre o risco de sequer ir ao Segundo Turno. Além do mais, o Mercado não confia em Bolsonaro; não apostará suas fichas (e dinheiro) neste candidato.

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Contudo, o certo mesmo é que se Lula permanece sendo perseguido perceptivelmente pela grande mídia e pelo Judiciário brasileiro, não poderá continuar candidato e deve passar o bastão (talvez, dia 17/09, último dia de troca no TSE) para Fernando Haddad. E Haddad, pelas prospecções dos cientistas políticos do País, vai ao Segundo Turno. Entretanto, quem irá com Haddad à urna no momento derradeiro da eleição 2018? Façamos alguns cálculos.

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O espólio de Lula, ao ser declarado impugnado, se a Justiça não respeitar seu direito, irá primeiramente para os "brancos" e "nulos", categoria das pesquisas que pode chegar aos 30%. E quem briga por este capital eleitoral de Lula que foi parar na prateleira? Por óbvio, o Haddad recebe a maior parte (o que o garante a meio mastro). Ciro Gomes herda um percentual relevante. No entanto, aquela que jamais imaginaríamos ter alguma chance de disputa, a Marina, como ex-petista e figura icônica de uma (ex) esquerda mais moderada, deve herdar uma parcela dos votos "brancos" e "nulos".

E onde reside o perigo?

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Haddad e Marina no Segundo Turno, não tenhamos dúvida: são todos (o Mercado de Alckmin, o atraso civilizatório de Bolsonaro – e outros degredados) contra o PT. Com um detalhe irrepreensível: Marina, embora uma figura volátil, sem firmeza de posições, oscilante e vacilante, é indiscutivelmente uma humanista. Tem apelo no imaginário de uma civilização com respeito aos direitos humanos, consequentemente, aos direitos sociais. Um híbrido de transição entre o conservadorismo segregador e o avanço civilizatório (do desenvolvimentismo social, econômico, ambiental e tecnológico).

No entanto, se Marina, por hipótese, vencer Fernando Haddad no Segundo Turno, como Presidente da República terá pulso para enfrentar a boca voraz do Mercado – que tudo devora? Saberá dar os tiros de dardos tranquilizantes nessa fera – que a abraçou e – que consome a vida e as forças dos trabalhadores e da classe média, já tão castigados pela ganância dos mantenedores do capital e do lucro a qualquer custo – e que aniquila a vida humana? Ou apenas se prostituirá para o Mercado a fim de vencer uma eleição e governar "sossegadamente"?

Restará ao eleitor julgar, com base nos dias que se contam diminuindo às vésperas da eleição, e decidir sabiamente a escolha de sua própria vida, pois não se trata de um simples ato de votar, contudo, de definir que tipo de gente e de projeto governará o Brasil e o futuro de nossas próximas gerações.

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Uma coisa eu tenho certo: Marina é um bom ser humano e tem ótimos projetos, todavia, ainda é fraca emocionalmente, e não tem equilíbrio para pegar o bastão e governar esse complexo e gigante Brasil.

Quem viver, verá!

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