Morre Juca Chaves, o menestrel maldito

O artista deixa a mulher, Yara Chaves - musa de suas canções - e duas filhas adotadas, Maria Moreno e Maria Clara

Juca Chaves
Juca Chaves (Foto: Divulgação)


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Rio - A música e o humor perderam hoje Juca Chaves, o nosso Menestrel Maldito.

Juca Chaves morreu na madrugada deste sábado (25), no Hospital São Rafael, em Salvador, Bahia, aos 84 anos.

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Jurandyr Czaczkes Chaves, mais conhecido como Juca Chaves nasceu no  Rio de Janeiro, no dia 22 de outubro de 1938. O músico, compositor e humorista morreu devido a complicações de problemas respiratórios. 

Juca era filho de um judeu austríaco chamado Josef Czaczkes, que aportuguesou seu nome acrescentando o sobrenome Chaves, e de Clarita Wainstein, filha de um judeu lituano.

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Com formação em música erudita, começou a compor ainda na infância. Iniciou sua carreira no fim da década de 1950, tocando modinhas e trovas num estilo suave.

Nos anos 60, montou um circo chamado Sdruws nas proximidades da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Corte de Cantagalo. Ali apresentou seu show Menestrel Maldito. Conforme o próprio Juca, o nome do circo era uma sigla: S de "snob", D de "divino Dener", R de "ralé", U de "uanderful", W de "water-closet", S de "Sdruws mesmo".

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Juca foi um crítico do Regime Militar, e se consagrou como compositor de músicas cujas letras traziam irônicas metáforas especialmente contra a ditadura militar brasileira. Criticou também a grande imprensa e o próprio mercado fonográfico. 

Em um trecho da música ‘Quantos Somos’, por exemplo, ele diz:

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"Diplomatas, militares, deputados, vereadores / ministros e senadores, imprensa, parlamentares / 5 mil e cento e dez os Barnabés do Brasil / O quanto resta é o quanto presta / Sem Sarney 90 mil."

Chegou a ser exilado em Portugal na década de 1970 mas, ao incomodar o regime ditatorial daquele país com suas sátiras que então ganhavam espaço nas rádios e televisões locais, transferiu-se para a Itália.

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De volta ao Brasil, apresentou-se em programas de televisão. Na década de 1980, lançou sua gravadora independente, a Sdruws Records. Um de seus bordões mais conhecidos é: "Vá ao meu show e ajude o Juquinha a comprar o seu caviar", seguido de sua risada característica.

Dentre suas canções mais conhecidas estão "Caixinha, Obrigado", "A Cúmplice", "Menina", "Que Saudade", "Por Quem Sonha Ana Maria" (interpretada no filme Marido de Mulher Boa de 1960) e "Presidente Bossa Nova".

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Em 2003, um sucesso de Juca Chaves dos anos 70 - a canção "Take me Back to Piauí" - foi editado na coletânea "Brazilian Beats Volume 4" da gravadora britânica Mr. Bongo, especializada em música popular brasileira.

Juca escreveu vários livros, entre eles:  ‘A Culpa é do Governo!’, ‘Eu, Baixo Retrato.’ e ‘O Incrível’.  Foi também um grande frasista. São suas as frases:

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“A imprensa é muito séria, se você pagar eles até publicam a verdade.”

“Se seio fosse buzina, São Paulo não dormia.”

“O Lula é a última esperança do povo brasileiro, mas, no Brasil, a esperança é a única que morre.”

“A mulher ideal é aquela que tivesse a bundinha na frente e um seio só nas costas. Pra vocês pode parecer ridículo, mas pra dançar é excepcional!”

“O Brasil é um país paradoxal, onde o estudante pinta a cara e o índio estuda.”

“O Lula é a última esperança do povo brasileiro, mas, no Brasil, a esperança é a única que morre.”

“Hoje em dia, o corno é o penúltimo a saber. O último é o Lula.” 

“Sexo é coisa de pobre, não se usa mais.”

“Ser velho é quem se ilude que idade é juventude. Ser jovem é saber envelhecer.”

Em 2006, lançou-se candidato a senador na Bahia pelo PSDC, ficando em 4º lugar, com 19 603 votos (0,35% do total). Suas propagandas eram escritas em formato de poesias.

O artista deixa a mulher, Yara Chaves - musa de suas canções - e duas filhas adotadas, Maria Moreno e Maria Clara. Ele vivia com as três no bairro de Itapuã.

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