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Elisabeth Lopes

Advogada, especializada em Direito do Trabalho, pedagoga e Doutora em Educação

18 artigos

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Mulher e poder

A proposta dessa crônica é provocar a luta, tanto de mulheres, como de homens na construção estrutural de uma sociedade livre de preconceitos de toda ordem

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Manifestação do Dia Internacional da Mulher em Istambul, Turquia (Foto: REUTERS/Dilara Senkaya)
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EPode parecer incabível, em pleno século XXI, termos que trazer esse tema para reflexão de homens e mulheres sobre a desigualdade das condições de vida e de trabalho entre eles. Pelo título dessa crônica é possível antever seu tom.

Como mulher não posso me furtar a abordar esse tema. Na prática, assistimos no dia a dia do mundo do trabalho discriminações veladas, que produzem sofrimentos às mulheres que batalharam a vida toda, para ter a mesma valorização que é dada aos homens, muitas vezes sem a mesma preparação conquistada por elas. Se a luta é complicada para as heteros, imaginem para as mulheres trans em que a situação se agrava por outras razões ao longo de suas existências. 

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Historicamente, a data de 8 de março foi escolhida como o Dia Internacional da Mulher. Essa data teve origem numa manifestação, ocorrida em 1917, realizada por quase 90 mil trabalhadoras russas, na cidade de Petrogrado, atual São Petersburgo. Foi um movimento pioneiro de luta para a melhoria das condições de trabalho e de vida extremamente precarizadas em relação ao status do trabalho masculino.

O que nos entristece, entretanto, é que mais de um século se passou e ainda nos deparamos com diferenças valorativas entre o trabalho dos homens e o das mulheres, embora já vejamos alguns avanços impensáveis há cem anos. A França, por exemplo, acaba de incorporar o direito da mulher ao aborto na sua Constituição, figurando como a primeira democracia ocidental a garantir, em sua carta magna, esse direito. A pauta de costumes em países com democracias incipientes, a exemplo do Brasil, ainda serve como bandeira de políticos, oportunamente conservadores, que travam a evolução dos direitos das mulheres. Desconsideram que o aborto é um problema eminentemente de saúde pública e não de viés moralista. 

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Nesta semana que antecede o dia internacional da mulher, os veículos midiáticos aproveitam para ressaltar algumas iniciativas, onde se percebe alguns avanços quanto à igualdade das condições de trabalho entre homens e mulheres. 

A Lei brasileira nº14.611 de 4 de julho de 2023, conhecida como a lei da igualdade salarial, por exemplo, constitui uma dessas melhorias. Avanços, no entanto, comumente observados, sobretudo, nos períodos de governos progressistas. 

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Convém salientar, entretanto, que mesmo que esses direitos estejam presentes nas cláusulas pétreas da Constituição Federal do país, a regulação em leis específicas impõe materialmente a obrigatoriedade do cumprimento pelos empregadores. 

Todavia, apesar dessa boa notícia, ainda temos muita luta a ser feita em vários aspectos do trabalho e da vida das mulheres. 

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Como mulher, em meio a uma sociedade, ainda, fortemente impregnada de valores patriarcais, temos que aguentar atitudes preconceituosas até das próprias mulheres que sucumbem por muitas razões aos valores machistas. Mulheres que não tiveram oportunidades, que foram sufocadas a vida toda, outras que, desesperançadas, desistiram de lutar. Vagam ao lado de seus abusadores tanto no plano físico ou no pseudo moral, como zumbis dependentes. Não as culpo. É fato que ainda estão nessa condição as acomodadas, dessas só consigo ter pena. Prefiro pensar que circunstâncias difíceis e quase intransponíveis as levaram a essa doentia submissão. 

Confesso que, mesmo fazendo parte de um segmento de mulheres com formação solidamente crítica e consciente, ainda sinto na carne as discriminações históricas, como a de ser identificada como “sexo frágil”. 

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Manter um equilíbrio saudável numa relação de compartilhamento de vida nas várias relações sociais entre mulher e homem ainda é complexo, mas vejo o quanto é possível, quando tanto um, quanto o outro tem uma prática consciente e livre de subjugação. 

O mais preocupante é que ainda vivemos tempos sombrios e, se essas discriminações acontecem com as mulheres hetero brancas como eu, ou com as mulheres hetero pretas, historicamente inferiorizadas pelo seu fenótipo, imaginemos o que acontece com os outros modos de apresentação do feminino, como das mulheres trans, das mulheres lésbicas, em suas opções corajosas de ser no mundo. Estas sofrem cotidianamente, até mesmo com a própria vida, por terem ousado a viver e a se expressar no mundo, como se reconhecem. 

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Estamos, portanto, longe do sexo frágil, como uma mentira absurda dita pelo poeta da música Erasmo Carlos. A proposta dessa crônica é provocar a luta, tanto de mulheres, como de homens na construção estrutural de uma sociedade livre de preconceitos de toda ordem. Que sejamos todas poderosas, sem jamais perdermos nossa ternura!!!!.  Em 08/08/2024.

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