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Francisco Calmon

Ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; membro da Coordenação do Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. Membro da Frente Brasil Popular do ES

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Não se passa borracha no passado, sob pena desse passado voltar a assombrar tragicamente o futuro

Não se passa a borracha na história, pois é ela a fonte de compreensão e ensinamento para não repetir os erros e sublinhar os acertos a serem seguidos

Ato bolsonarista na Avenida Paulista (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
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A manifestação de domingo, 25, de Bolsonaro e asseclas foi uma confissão do golpismo e uma chacota ao Judiciário. Ele se julga o intérprete da Constituição, como a Michele se julga intérprete de Deus. Os demais oradores, mesmo tentando ser contidos, mostraram o quão são perigosos para a horda neonazifascista que os seguem como gado. E se o golpe tivesse sido vitorioso, onde estaríam os verdadeiros democratas deste país?

No passado houve a anistia dos agentes e comandantes dos crimes imprescritíveis de lesa-humanidade por responsabilidade do STF. Nós que combatemos a ditadura não fomos anistiados, fomos, sim, julgados, condenados por uma lei de exceção, Lei de Segurança Nacional, antes aprisionados, torturados e muitos assassinados e seus restos mortais desaparecidos até hoje. Fomos reparados por uma lei denominado de anistia, a qual permitiu a volta dos nossos irmãos banidos e exiliados do Brasil e do acalanto de seus lares, mas verdadeiramente usadas para perdoar os criminosos da ditadura.

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A fisionomia de um covarde apoiando-se num governador herdeiro de seu movimento de extrema direita, Bolsonaro era a caricatura daquele fanfarrão imbrochável.

Há crimes que merecem ser anistiados, mas golpe ter pré-anistia, porque a linha de comando ainda nem foi condenada e aprisionada, é uma figura esdrúxula, fruto das mentes militares dolosas da intentona bolsonarista. 

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A intentona bolsonarista atingiu os pilares do Estado Democrático de Direito, cuja reconstrução ainda está em curso, portanto, mencionar autoanistia é uma heresia jurídica e um acinte, um achincalhe, ao Congresso Nacional, que teve a sua sede depredada pela fúria odiosa dos bárbaros bolsonaristas.

Indulgência, graça, perdão, por antecipação, é instituto inexistente, é passaporte para o crime continuado.

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Ele não nega a sua participação no golpismo, o que procura é justificar, sob uma tosca compreensão da Constituição e se colocando como um perseguido do Estado Democrático de Direito.

Ele se colocou como um paladino, um advogado dos golpistas, e já de antemão solicitando perdão para si e para a sua camarilha de vândalos a serviço de um comitê dirigente da intentona de 8 de janeiro, adredemente preparada desde bem antes das eleições.  

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Quem pede para apagar o passado é porque tem contas a ajustar com a justiça.  

Não se passa a borracha na história, pois é ela a fonte de compreensão e ensinamento para não repetir os erros e sublinhar os acertos a serem seguidos.

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Os depoimentos dos invasores e depredadores do patrimônio nas suas oitivas, provavelmente devem incriminar os seus líderes, seja os intermediários, sejam os dirigentes maiores.

No vandalismo da intentona, havia comandos, havia um plano, quem estabeleceu, senão Bolsonaro e seus lugares-tenentes?

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A manifestação deste domingo passado, foi o seu último recurso, bem planejado e organizado, acabou, só resta a cadeia.

Com o processo dos militares golpistas de hoje, daremos um passo a mais na justiça de transição reversa, para alcançar todos os envolvidos no golpe de 64 e nos imprescritíveis crimes cometidos pelos agentes da ditadura militar.

Prisão e punição aos golpistas é a palavra de ordem da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça. 

Jamais esqueceremos, sempre lutaremos por Justiça, para que nunca mais retorne a tirania em nosso país.

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