Negreiros, o nosso sempé

Negreiros tinha como marca registrada o traço ‘sujo’ e o humor inteligente e criativo



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Rio - Conheci Negreiros no ‘Jornal da Tarde’. Eu era fã do vespertino da família Mesquita. Lia todos os dias. O ‘JT’ - como era carinhosamente chamado pelos leitores - era um jornal alegre, irônico e divertido. Tinha o humor que faltava à 'Folha de São Paulo’ e ao ‘Jornal do Brasil’, outros dois jornais que eu lia, diariamente.

O JT da família Mesquita, de ‘O Estado de S. Paulo’, foi concebido e idealizado por Mino Carta - com o auxílio de Murilo Felisberto. O ‘Jornal da Tarde’ foi um dos jornais brasileiros que apostaram na escola do new journalism americano de Gay Talese e Truman Capote. Minhas primeiras leituras eram os textos do Carlos Brickmann, ilustrados pelo Negreiros, o suplemento ‘Divirta-se’ e as histórias em quadrinhos.

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Negreiros tinha como marca registrada o traço ‘sujo’ e o humor inteligente e criativo. Seu estilo era parecido com o do cartunista francês Sempé. Muito preto e branco, muito cinza e muitas ranhuras. 

Roberto Negreiros nasceu em São Paulo, em 1955. Cartunista e ilustrador teve seu primeiro trabalho remunerado como desenhista, ainda na infância, aos 6 anos de idade.

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Foi formado em produção visual , artes plásticas e jornalismo. Trabalhou como ilustrador no ‘Jornal da Tarde’, nas revistas ‘Piaui’, ‘Veja’,  ‘Ilustrar’, ‘Playboy’ e na ‘Cripta’, revista de terror, editada pelo Ota. Trabalhou também para as editoras ‘Três’,  ‘Abril’ e ilustrou vários livros.

Negreiros conseguia ser ao vivo tão ou mais engraçado do que as figuras que desenhava. Recebia a todos que o procuravam na redação do ‘Jornal da Tarde’ com muito humor e carinho. Dependendo do nível de amizade, o visitante ainda saía do JT com um original assinado pelo cartunista.

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Escreveu e ilustrou, junto com os também ilustradores Ale Kalko e Orlando Pedroso o livro "Com a Palavra, Os Ilustradores". Um projeto original, que reuniu em um box, três livros dos talentosos ilustradores. Na obra - uma publicação da ‘Mandacaru’, com edição de Bebel Abreu e André Valente -  os autores foram buscar em sua memória – e resgataram com ilustrações – casos da infância, adolescência, o início das carreiras e casos emocionantes e  divertidíssimos. 

Para o cartunista José Alberto Lovetro, o JAL - presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil. “Negreiros desenhava como um escultor, esculpindo com traços leves e ágeis sua obra”.

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Um dos maiores desenhistas e artistas gráficos do país, Negreiros também era apaixonado por música, em especial pelos instrumentista de jazz dos anos 20. Músico bisexto, tinha até uma certa intimidade com o ukulele.

A arte de Negreiros, um misto de desenho e poesia, ficou órfã do seu criador, mas os fãs do cartunista ainda podem conseguir um original do artista. Sua obra está à venda por R$150, (incluso despesas de postagem) em vários formatos. Os Interessados, devem entrar em contato inbox, na página do Facebook do artista.

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O artista morreu nesta quarta-feira (22), em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco. Negreiros era casado com Anderson Barros.

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