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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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Nos braços do SUS

O Faustão é benquisto, mas o pobre se pergunta na NET: e o meu caso?

Faustão (Foto: Reprodução/Instagram)
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 Quando minha enteada voltou do intercâmbio na Romênia estávamos ansiosos em revê-la com aquele coraçãozinho invencível, ciganinha moura de rostinho redondo, num sorriso de acender o dia. A vimos no portão, de bagagens nas mãos, contorcendo-se daqui e dali, carregando os apetrechos e, meu Deus, gesso na perna e uma muleta sob o braço, a mantendo em pé!  

 Depois de algumas semanas a muleta da Romênia ficou lá em casa, emprestei para várias pessoas. Nem reparara, mas a tal muleta era leve, talvez de alumínio, com acerto para altura do acidentado. Quem diria, a Romênia!  

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 O ex-ministro Paulo Guedes planejava privatizar o SUS, aliás, o que ele não quis privatizar?! O tal ministro queria compensar a perda de atendimento por um Voucher. Imaginem. O pobre quando for atropelado pega o celular, se puder falar liga para uma ambulância e, no hospital, paga com o voucher da carteira.

 O SUS ressuscitou na pandemia e mostrou seu valor ao mundo. Autoridades mundiais atestaram e, como santo de casa não faz milagre, precisamos que estrangeiros valorizassem o SUS que eles não têm. O pior sistema de saúde do mundo é o americano, tudo regiamente pago, sem retorno satisfatório. Americanos ricos e famosos vem à Cuba, odeiam o partido comunista mas louvam o sistema de saúde universal deste país - um dos cartões de visita da Ilha. Os brasileiros que passeiam por Miami de repente lembram-se saudosos da terrinha, pois aqui têm cuidados gratuitos no Sistema Único de Saúde – o SUS.  

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 Recentemente, o transplante do Faustão reacendeu a importância do SUS na captação de órgãos. O apresentador ficou internado no Albert Einstein até surgir um coração compatível para ele. Apesar de os meios de comunicação defenderem ferrenhamente a lisura da posição do transplantado na lista, a net expôs a chaga social dos principais doadores, os quais morrem mais, e com mais dificuldades para se adequarem ao transplante e acesso à saúde. Além das más condições econômicas, habitam longe de centros de transplantes, são dependentes do transporte público e assim muitos perdem a vez ou a vida por falta de assistência social, orientações adequadas nos postos ou hospitais e, inclusive, assistência jurídica para munir os direitos do desassistido, se o caso.

 Não há que se culpar o apresentador por ser rico, mas casos concretos nas famílias de classe média baixa e pobres evidenciam o contraste que não se esconde com retórica. A corrida em defesa do apresentador na imprensa mostra que há uma fratura exposta. O rico tem mais condições de receber um coração, porque tem assessoria pessoal para agilizar os cuidados, transporte próprio, condições de internação especializada e médicos a que preço for e, se famoso, a “sensibilização” mediática, que virou pauta exaustiva.  

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 O Faustão é benquisto, mas o pobre se pergunta na NET, e o meu caso?  

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