Nota 0, notas 10

O sambódromo do Rio de Janeiro estreou seus 40 anos com uma homenagem nota 10 da escola Em Cima da Hora

(Foto: Alexandre Macieira/Riotur)


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O sambódromo do Rio de Janeiro estreou seus 40 anos com uma homenagem nota 10 da escola Em Cima da Hora. A comunidade do bairro do subúrbio de Cavalcanti desfilou o enredo ‘A nossa luta continua!’ na disputa das agremiações da Série Ouro pelo primeiro lugar que permite participar do Grupo Especial no próximo ano.

O enredo dos carnavalescos Rodrigo Almeida e Ricardo Hessez apresentou o elogio ao Trabalhismo com a crítica à precarização e exaltação da classe operária a partir do olhar sobre a própria força de trabalho que garantiu à escola fazer bonito na passarela.

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De acordo com Rodrigo e Ricardo, justo reconhecimento a quem de fato constrói a nação.  “Falar de trabalhadores na Em Cima da Hora é retomar o lugar de fala de uma escola que tem como premissa sublimar em poesia a razão do dia a dia para ganhar o pão”, afirma Rodrigo, alinhado com a declaração de Ricardo: _ “Eu faço parte desta categoria que levanta cedo todo dia pra conseguir colocar comida na mesa, que além de construir sonhos, também precisa de condições apropriadas. Nossa luta continua, ontem hoje e sempre. Viva o trabalhador do carnaval”, ressalta.

A Passarela do Samba foi obra pensada e realizada pelo trio Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer, que colocou a mão-na-massa em todas as instâncias para seguir forjando o Brasil moderno e soberano iniciado pelo presidente Getúlio Vargas, seguido pelo presidente João Goulart, e golpeado pelo atraso vassalo e dependente civil-militar em 1964. A construção e a inauguração em 1984 não escaparam dos impróprios, rogo de pragas, predições nefastas e detratações amplificadas e até mesmo criadas pela mídia a serviço da subalternidade manifesta na geopolítica de um mundo unipolar. Um famoso colunista social não poupou tinta para dizer que o novo espaço ficaria abandonado depois do festejo e serviria de local para abrigar marginais e mendigos. No afã, traiu a própria máxima em destaque no mural defronte à sua máquina de escrever: “enquanto houver champanhe, há esperança”. No reconhecido acervo da TV Globo sobre os acontecimentos nacionais, falta uma pasta no arquivo. A emissora não transmitiu a inauguração. Coube à recém TV Manchete cumprir o registro do fato. 

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No desfile de sábado, dia 10 de fevereiro, a Azul e Branco da linha do ramal de trem que liga a Central do Brasil à Baixada Fluminense, brincou, deu show de harmonia, levantou a arquibancada, subscreveu e deixou sua marca na história na Sapucaí.

Mas não só. A Em cima da Hora foi Nota 10 também no quesito de resistência ao jogo de iluminação ensaiado na Série Ouro. Algo da ordem do incrível, em que a claridade necessária do sambódromo foi surpreendida por manchas de apagão que impediam ver as escolas. Eram breus seguidos de cores variadas que se sucediam de modo intermitente como uma emissão estroboscópica, no estilo das boates ou das pirotecnias dos megashows de popstars, e modificavam as cores originais das alas e carros. Um desastre. No caso, quase literal. Em meio ao desfile da maioria das escolas, salvo a Em Cima da Hora e a União da Ilha, a prefeitura recebeu telefonema do aeroporto Santos Dumond indagando que iluminação era aquela que estava interferindo no controle dos voos. 

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A ideia Nota 0 do jogo de iluminação teria sido de Gabriel David, o futuro e já confirmado próximo presidente da Liesa, a Liga Independente das escolas de samba. Mas, parafraseando o colunista, enquanto houver resistência, há esperança.

A propósito, segue a letra do samba da Em Cima da Hora

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A nossa luta continua!

Lá do morro vi o Sol em primavera

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Onde o trem vence quimeras

Trabalhar, realidade

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Labuta que aprendi desde menino

Ao descer a Zeferino e ir pro centro da cidade

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Perdi meu coração nas engrenagens

E no fim dessa viagem baldeada de ilusão

Marquei o ponto, mas rasguei minha carteiraBrava gente brasileira é tempo de revolução

A voz de um país, o povo na rua

Nossa luta continua, fazendo escola

Reflete Paris: O vermelho da flor

Dignidade não é esmola

Da terra escaldante as capitais

Pau-de-arara nunca mais

Eis o sonho retirante

E lá na seca, o candango construiu

O coração do Brasil

Pra pulsar bem mais distante

Da força que enfrenta os canhões

Greve é ato de bravura

Movimento sindical pra dobrar a ditadura

Vem cantar meu carnaval, manifesto de coragem

Imagem, da mãe que carrega no braço seu filho

Carrega também uma caixa na mãoPra proclamar libertação

Não é mole não, não é mole não

Desfilar a fantasia, ver brilhar meu barracão

Eu sou a pluma que o tempo não desfazForça nenhuma há de conter meus carnavais

E quando acendo a alegoria o povo choraArquiteto da folia, sou Em Cima da Hora

 

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