O adeus a Paulo Caruso

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(Foto: Reprodução)


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Por Ediel Ribeiro

Rio - Estive várias vezes com Paulo Caruso. Ou foi com o Chico? Sei lá! Os dois se parecem pra cacete.

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Gêmeos univitelinos, os dois eram iguais em quase tudo. Na aparência, no humor, no talento. Até o timbre de voz era idêntico.

Uma vez, estive com ele em um dos shows da banda “Muda Brasil Tancredo Jazz Band” - que contava com as participações do irmão Chico Caruso, Cláudio Paiva, Aroeira, Mariano, Luis Fernando Veríssimo e Reinaldo, entre outros - , nos jardins do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

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Logo que o vi, fui cumprimentá-lo:

E aí, Paulo, tudo bem?, disse, estendendo a mão.

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E ele, sério:

Eu sou o Chico!

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Diante da minha cara de babaca, ele concluiu:

Tô brincando, eu sou o Paulo. Mas pode me chamar de Chico, disse,

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com sua voz de locutor de rádio.

Paulo José de Hespanha Caruso nasceu em São Paulo SP, em 1949. Foi caricaturista, quadrinista, ilustrador, chargista e músico. Era formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, mas  não seguiu na profissão. 

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Começou a carreira de cartunista no jornal ‘Diário Popular’, no final da década de 1960. Colaborou com os jornais ‘Folha de S.Paulo’, ‘O Pasquim’, ‘Cartoon’ e ‘Movimento’. Com a chegada do AI-5, em dezembro de 1968, abandonou as charges e passou a publicar ilustrações e a tira ‘Pô’, no jornal ‘Folha da Tarde’.

Nos anos 1980, voltou à grande imprensa, passando pelas revistas ‘Veja’, ‘Isto É’, ‘Careta’ e ‘Senhor’. Em 1981, com Alex Solnik, publicou a página de humor ‘Bar Brasil’, na revista ‘Careta’, que nos anos seguintes, transferiu-se para a revista ‘Senhor’. 

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A partir de 1988 - e por mais de 25 anos - publicou na revista ‘Isto É’, a charge da semana com o título Avenida Brasil, na última página da revista, ilustrando com sátira e humor vários momentos da história política do país. 

‘Avenida Brasil’, seu trabalho mais conhecido, acabou migrando para o ‘Jornal do Brasil’ e algumas edições de mais sucesso foram reunidas em um livro.

Seus trabalhos também aparecem em publicações especializadas em quadrinhos como ‘Circo’, ‘Chiclete com Banana’, e ‘Geraldão’  ao lado de grandes nomes dos quadrinhos, como Chico, Angeli, Laerte e Luiz Gê.

Paulo Caruso também trabalhou na TV. Fazia  caricaturas ao vivo no programa semanal ‘Roda Viva’, na ‘TV Cultura’.

Caruso dedicava-se também à composição musical e à produção de espetáculos de música e teatro. Em 1985, durante o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Paulo formou com Chico e outros cartunistas a "Muda Brasil Tancredo Jazz Band". Nos shows, a banda interpretava músicas de cunho humorístico e com sátira política. Em 1998, lançou o CD ‘Pra seu Governo’. 

Entre os livros publicados destacam-se: ‘As Origens do Capitão Bandeira’ - 1983; ‘Ecos do Ipiranga’ - 1984; ‘Bar Brasil’ - 1985; ‘São Paulo por Paulo Caruso - Um Olhar Bem-Humorado sobre esta Cidade’ - 2004 e ‘Desenhando Longe - a Copa de 94’, de 2015.

Paulo Caruso é pai do cineasta Paulinho Caruso e tio do humorista Fernando Caruso. O artista morreu na manhã deste sábado (4), aos 73 anos, por complicações de um câncer de intestino.

Siga em paz, amigo.

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