O auto da delegacia

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Viatura de política (Foto: Pixabay)


Delegacia da Polícia Federal, em Brasília. Estão na sala de espera Jair, Flávio, Carlos, Eduardo e Renan, antes de prestarem depoimento ao delegad0-geral.

Jair (reclamando): Duas horas esperando! É mole? Custava trazerem um pãozinho com leite Moça?

Flávio (chateado): A gente procurando se defender e o senhor com esse papo de leite Moça. Fixação!

Jair (retruca): Você me respeita, hein? Passei quatro anos livrando a tua cara, rapaz.

Flávio: E deu nisso. Estamos aqui com os homens.

Jair: E a culpa é minha, por acaso? 

Flávio (irônico): Passo a palavra ao Pitbull…

Carlos (ácido): Ih, lá vem besteira do Rachadinho.

Flávio: Antes de fazer piada, explica por que ficamos nessa draga. Anda, quero ver.

Jair (interrompendo): Deixa que eu digo. O Pitbull, sem querer, apertou os botões errados na internet. Os robôs dele, em vez de favorecerem a candidatura, foram contra mim. Começaram a comer meus votos nas urnas eletrônicas. Que nem aqueles bichinhos de videogame, como é o nome, Renan?

Renan: Pac Man.

Jair: Bem que eu falei que era pra ser voto impresso. Deu nisso.

Eduardo (protestando): De novo essa história! Adianta chorar sobre o leite derramado?

Jair (gemendo): Pô, não fala em leite que eu me lembro de leite Moça. Hummmm…

Eduardo: Desculpa, papai. Só acho que não vai adiantar ficar remoendo coisas passadas. O senhor ligou pro Trump?

Jair: Ligar como? O delegado tomou meu celular. Antes de vir pra cá, mandei uma carta. Mas com essa de privatizar Correio só chega lá daqui uns dois meses.

Eduardo: E o ministro terrivelmente evangélico? Não intercederia pra não rolar esse interrogatório?

Carlos (enigmático): Não soube, não?

Eduardo: O quê?

Carlos: Virou ateu depois que intimaram a gente.

Eduardo: Putz, então só sobrou o Kássio.

Carlos: Depois da derrota, esse também não dá mais pra contar. 

Eduardo (descrente): Sério?

Carlos: Virou juiz da série B do campeonato piauiense de futebol. 

Flávio: Eu sei que tá complicada a coisa, mas deve ter um jeito, não é possível.

Renan: E se oferecerem delação premiada, pai?

Jair (nervoso): Cala a boca, Renan! Não vem me lembrar de Lava Jato, não.

Renan: Só uma ideia.

Jair: Ideia de jerico. Se um de nós abrir o bico aqui, o Centrão vira coreto de praça do interior.

Eduardo: Se eu conseguir um celular, vou mandar um e-mail pra ONU falando de perseguição política.

Jair: ONU? Esquece. Tô mais queimado lá que floresta na mão do Salles.

Carlos: Bem que eu disse pro senhor não deixar aquele chanceler maluco redigir o discurso. 

A porta da sala de espera se abre. Hélio Negão entra.

Jair (surpreso): Pô, o que tu veio fazer aqui?

Hélio (confuso): Não entendi bem, mas pelo jeito vão fazer uma acareação minha com o senhor.

Jair (confuso): Que acareação, rapaz?

Hélio: Disseram que eu tenho a chave do orçamento secreto.

Jair (indignado): E orçamento secreto tem chave?

Renan: Se tivesse, quem teria a chave era o senhor, né, pai?

Jair: Cala a boca, Renan! Vai jogar teu videogame de tiro, isso é coisa séria, pô!

Flávio (para Hélio): Mais alguma novidade lá do Planalto?

Hélio: As de sempre. Imprensa dizendo que o Cavalão mamou nas tetas do governo.

Jair (gemendo): Pô, não fala em leite que eu me lembro de leite Moça. Hummmm…

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