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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

53 artigos

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O jacaré piracicabano

Confundem a escrita indígena com marcas de jacaré

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Se em Campinas o boi falou, aqui o Jacaré escreveu na pedra! Quer ler?

Em 1500, como se pisasse na lua pela primeira vez, Portugal se apossa de nossas terras. Na Europa havia esboços de mapas, litígios possessórios arbitrados por um Papa imaginoso que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha. Entretanto, aqui havia silvícolas, chamados de selvagens, nus, não escondiam seus corpos, e bem antes do topless. Feitos pródigos, interditados pelo Estado, pisam distraídos os mapas oficiais, como andarilhos livres. Os Krenak ou botocudos foram considerados extintos. Ao retornarem ao Rio Doce, nas Minas Gerais, o governador perguntou quem eram. O indígena Ailton Krenak respondeu ironicamente que eram fantasmas, claro, estavam vivos e não extintos. Anote-se, Ailton, um botocudo, é o novo imortal da ABL, reconhecido internacionalmente!

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Desde os primórdios trataram de exterminar sistematicamente os povos originários com seus saberes, suas crenças, adereços, técnicas de cultivos, calendários, festas agrárias e religiosas. A ideia de progresso criou uma imagem ao branco, um mapa corporal, um ser repressor e reprimido. O colonizador branco usa armas e roupas já bem antes do papel higiênico. Devassar e destruir tribos é concepção comum, mais uma caça a ser abatida em nome do progresso. Cruéis Assassinos, madeireiros e garimpeiros recebem honrarias e se inspiram nos bandeirantes de botas e chapéus de emboabas, a matar e destruir nações indígenas pacíficas pelos canhões e escopetas, pandemias e contaminação pelo mercúrio na febre branca do ouro.

Na nossa Piracicaba havia tribos indígenas em toda a orla do rio, os mais conhecidos foram os tupinambás. Todavia, o museu da cidade é pobre em material, ao menos em exposição, tem uma saleta de tamanho liliputiano, pequena, com alguns vasos e peças. E o resto? Dizem que estão em caixas. Com certeza serão recicláveis ou ao lixo mesmo daqui a algum tempo, pois se canta a cidade de forma apaixonada, pelo encanto e exuberância à flor d’água, e se o faz de forma infantil, sem proteger sua tradição mais genuína. Piracicaba tem sítios indígenas vilipendiados com cimento sobre, e pior, uma pedra enorme sobre o assunto, confundem a escrita indígena com marcas de jacaré. Aliás, um conto infantil bem inocente de O jacaré piracicabano – com o perdão da ironia, claro. A orla do rio hoje está nas mãos de quem pode mais, grupos de investidores querendo lucrar muito com as “torres de babel”.

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Como é difícil conscientizar ignorantes sobre fatos tão comezinhos, as árvores! Nem a isso se coçam, matam árvores milenares, cortam para não varrer as folhas. Não há campanhas publicitárias ou orientações quanto ao plantio de árvores em frente das residências por onde passam redes soterradas de água, gás, esgoto cada vez mais estranguladas pelo volume de dejetos aumentado da concentração demográfica em prédios altos.

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