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Michel Zaidan

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O maior Carnaval do mundo

Lamentável essa disputa carnavalesca como afirmação da identidade, do orgulho e da autoestima. Afinal, quem ganha com isso?

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Relutei muito em tocar neste ponto. Dizia o sociólogo do lugar que existem dois tipos de regionalismo, um sadio e um separatista. Naturalmente o sadio exalta as coisas da terra, sem dar as costas para o mundo. Sempre me preocupei com os efeitos e as consequências do mau regionalismo, porque ele tende a fechar os olhos às mazelas da nossa região. Acho que há muita coisa boa na nossa aldeia, mas é preciso apontar os defeitos que ela conserva e que temos de extirpar. 

Um deles é o preconceito racial a discriminação e o ódio destilado contra aos afrodescendentes e suas matrizes religiosas, fruto da chaga da escravidão africana no Brasil. O segundo é a misoginia e a transformação, responsável pela violência contra os trans e homossexuais. O terceiro é a matriz violenta na formação do caráter social. E o quarto é o descaso com os idosos e deficientes. Existe entre nós a ideia da afirmação do machocentrismo, INTIMAMENTE ASSOCIADA À VIOLÊNCIA E A MISOGINIA. 

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Essa cultura  machocêntrica faz também a apologia da vitalidade, da potência do novo, em contraposição ao velho, ao idoso, aos fracos e incapazes. A mentalidade patriarcal-escravista é excludente, discriminatória e violenta. Não só pela violência patrimonial  mas familiar, interpessoal  conjugal, de gênero e orientação  sexual. A ideia de uma cultura de paz não condiz com a herança histórica e cultural que recebemos  dos nossos antepassados.

Neste ponto, entra a questão cultural. O multiculturalismo tão festejado pela propaganda oficial é um produto  exótico a ser vendido ao visitante. É aquilo que um antropólogo chamou de  a sorriso do morto. Legado cultural domesticado, pasteurizado, para ser vendido como produto ao turista desavisado. Sua mais perfeita tradução  são as estatísticas  dos empregos temporários gerados, da renda produzida , da economia criativa e da felicidade geral da nação. 

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Associamos essa espetacularização dos folguedos e tradições a uma imagem de autoestima, orgulho, identidade tal qual uma feijoada num restaurante chic de Paris. A essência  protéica é a mesma, mas a embalagem e as circunstâncias da compra são outra coisa. Pelo visto, o Carnaval multicultural é participativo e globalizou-se. Tornou-se uma mercadoria nos free-shoppings internacionais, como as réplicas de Buda vendidas na Indonésia. 

Mais grave é torná-la uma variante espúria de cultura cívica habilmente utilizada pelo Estado. Vestir a camisa da administração municipal, estadual ou federal. Ser bom pernambucano, recifense ou brasileiro é  amar o Carnaval (das cervejarias), triste daquele que não frevar ou cair no passo, é um traidor da pátria, da nação. Ou é doido ou doente do pé. E assim se produz uma estranha forma de patriotismo carnavalesco, onde se conta ou se mede a quantidade de foliões, o número das troças é o quantum da riqueza gerada. Qual é o melhor carnaval? O  do Rio de Janeiro, o de Salvador, o de Recife? O de Olinda?

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Lamentável essa disputa carnavalesca como afirmação da identidade, do orgulho e da autoestima. Afinal, quem ganha com isso?  Os que mais precisam de políticas públicas? De assistência social? Será mesmo o Carnaval tão inclusivo e democrático, como se pensa? 

Veremos, depois que a folia acabar.

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