O senhor dos livros

"A propósito do dia nacional do livro, comemorado neste 29 de outubro, segue meu relato de um tempo em que a leitura e o conhecimento eram bem mais valorizados e uma homenagem ao casal Mindlin", escreve Florestan Fernandes Jr., do Jornalistas pela Democracia

www.brasil247.com - À esquerda, o casal Guida e José Mindlin; à direita, Florestan Fernandes Jr. e estudantes da PUC-SP
À esquerda, o casal Guida e José Mindlin; à direita, Florestan Fernandes Jr. e estudantes da PUC-SP (Foto: Arquivo pessoal)


Por Florestan Fernandes, para o Jornalistas pela Democracia

Não conheci ninguém no mundo mais apaixonado por livros que o bibliófilo José Mindlin. Certa vez ele contou que viajando pela Europa encontrou em um sebo uma edição muito rara, folheou o livro acariciando cada página, mas apesar da tentação não comprou o exemplar. De volta ao hotel, conta para a companheira sobre aquele exemplar único, e da falta de coragem em pagar o preço pedido pelo livreiro. Mindlin argumentou para a mulher que o dinheiro faria falta no orçamento da família. Guita não concordou com o marido e disse que ele não deveria perder a oportunidade. 

No dia seguinte, José Mindlin volta ao sebo e qual não foi sua tristeza ao saber que um comprador havia levado o livro horas antes dele chegar. Alguns meses depois, no dia do seu aniversário, Mindlin desembrulha o presente dado pela esposa, e não se conteve de felicidade e emoção ao rever o tal livro raro que ele tanto queria. Foi então que descobriu que o comprador misterioso na realidade era Guita. 

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A biblioteca de Mindlin e Guita em São Paulo sempre esteve aberta aos pesquisadores e estudiosos. Estive lá algumas vezes fazendo matérias para a televisão, e tive o privilégio de trocar algumas prosas com o senhor dos livros. Um homem culto, inteligente, ético e solidário com seu povo. Tanto que doou sua coleção para a USP desprezando uma oferta de 15 milhões de dólares feita pelos norte-americanos. Com esta pequena história faço uma homenagem ao casal Mindlin no Dia do Livro.

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A propósito do dia nacional do livro, comemorado hoje, segue meu relato de um tempo em que a leitura e o conhecimento eram bem mais valorizados. 

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Nos anos 80, fui sócio da simpática livraria Eça de Queirós, que ficava na avenida Faria Lima, bem perto do Shopping Iguatemi. Por lá passaram grandes escritores em noites de autógrafos memoráveis, como Chico Buarque,  Waly Salomão, Florestan Fernandes, Franco Montoro, Lilia Schwarcz, Henfil e Darcy Ribeiro. Lançamentos eram um bom momento para conversar, trocar ideias e brindar com os amigos “a volta do irmão do Henfil e de tanta gente que partiu num rabo de foguete…”

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