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Marcia Carmo

Jornalista e correspondente do Brasil 247 na Argentina. Mestra em Estudos Latino-Americanos (Unsam, de Buenos Aires), autora do livro ‘América do Sul’ (editora DBA).

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Os 7 ‘amigos’ de Milei em 6 meses de governo e a ‘fritura’ da chanceler

"Mondino está na mira de Milei e de sua irmã, a temida Karina", escreve Marcia Carmo

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Javier Milei e Diana Mondino (Foto: Reprodução Youtube)
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Nesta segunda-feira (10), o presidente da Argentina, Javier Milei, completa seis meses de governo com sua agenda de ‘amigos’ internacionais bem definida. Milei tem sete ‘amigos’ que admira e não disfarça. Donald Trump, dos Estados Unidos, Benjamin Netanyahu, de Israel, Georgia Meloni, da Itália, Santiago Abascal, da Espanha, Nayib Bukele, de El Salvador, e o deputado Eduardo Bolsonaro, do Brasil. E a mesma linha que exerce na política interna, com críticas aos que são de outras ideologias, marca também sua política externa. Nesta segunda-feira, Milei e sua irmã, a poderosa secretária-geral da Presidência, Karina Milei, demonstraram não tolerar que um representante da embaixada da Palestina tenha sido convidado para o mesmo evento que ele. Na sexta-feira, quando já estava a metros do local do encontro, no Centro Cultural Islâmico de Palermo, em Buenos Aires, Milei pediu ao chofer para fazer meia volta, quando soube da presença palestina, onde também estavam a ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, e quase 20 embaixadores.

Desde então, crescem as especulações sobre a permanência ou não da chanceler Mondino no cargo. Nesta segunda-feira, foi informado que ela não fará parte da comitiva de Milei à Cúpula do G7, na Itália. Na terça-feira passada, num jantar do Conselho Argentino das Relações Internacionais (CARI), ela disse a um grupo de jornalistas – incluindo a equipe do Brasil 247 – que o acompanharia na viagem. E ficou surpresa quando contamos que o presidente Lula também estaria no G7.

Nas últimas horas, Milei comemorou o avanço da ultradireita na eleição para o Parlamento Europeu. “Boas notícias do velho continente. A Europa mandou seu recado”, disse. Aliado da italiana Giorgia Meloni e opositor ferrenho do socialista espanhol Pedro Sánchez, Milei ratificou, então, sua preferência pelos políticos e políticas de extrema-direita. Ele participará da cúpula do G7, depois que autoridades italianas insistiram que ele não faltasse ao evento – o argentino tem sido criticado pelas viagens seguidas para encontros internacionais dos clubes que têm seu mesmo víeis ideológico e não necessariamente interessantes para as políticas de Estado (que ele detesta) da Argentina. Será a primeira vez que Lula estará num mesmo evento que Milei. Os dois nunca se falaram. As agressões do argentino contra Lula continuam engasgadas, segundo fontes do Itamaraty. Depois da Itália, Milei viajará pela segunda vez à Espanha para um novo evento da ultradireita. Amigo do presidente do partido político espanhol Vox, Santiago Abascal, Milei publicou, nesta segunda-feira, na rede X uma foto de Pedro Sánchez com esculturas de leões ao fundo – o felino foi o símbolo da campanha à Casa Rosada. A legenda do post, retuitado por Milei, era: “Cuidado Pedro...”.

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Mas não é só na Europa e nos Estados Unidos que Milei conecta seus tentáculos à ultradireita. No fim de semana passado, ele participou da posse do presidente reeleito de El Salvador, Nayib Bukele, e foi flagrado pelas câmeras perguntando: “Como você fez para ser reeleito?”. A pergunta de Milei gerou fortes especulações de que ele já poderia estar pensando em como conseguir o segundo mandato. Neste primeiro semestre na Presidência, Milei aplicou uma forte política de arrocho interno e fez questão de participar, por exemplo, da Conferência da Ação Política Conservadora para abraçar o ex-presidente e candidato Trump, em Maryland, nos Estados Unidos. Milei lhe disse que espera que ele volte à Casa Branca. Trump retribuiu dizendo que espera que Milei “faça a Argentina importante de novo”. Milei também trocou afagos com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Ele viajou, em fevereiro, para Israel especialmente para vê-lo e para visitar o Muro das Lamentações.

Nestes seis meses na Casa Rosada, Milei fez sete viagens – quatro aos Estados Unidos, seu preferido – e nenhuma a um país da América Latina. A expectativa é se participará da reunião do Mercosul, nos dias sete e oito de julho, em Assunção, no Paraguai. Antes de começar a ser ‘fritada’, Diana Mondino tinha dito que seria muito difícil que Milei e Lula não se falem durante a reunião do bloco porque os presidentes passarão algumas horas reunidos. Ela costuma ser chamada de ‘bombeiro’ nos bastidores do Itamaraty, pelos ‘incêndios’ provocados por Milei e que tenta apagar. “Que não tirem a Mondino”, chegou a dizer uma fonte de Brasília, semanas atrás. Mas agora está na mira de Milei e de sua irmã, a temida Karina – ‘o’ chefe, nas palavras do presidente.

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