Opinião

Oscar para Serra

O que houve na eleição da Câmara foi uma enorme demonstração de força do PSDB e de Serra sobre Temer. Se a nova oposição, mais a Rede, tivesse blocado em Marcelo Castro teria ido ao segundo turno uma candidatura que votou contra o Impeachment, favorável à solução democrática da crise e até a reforma política

Senador José Serra (PSDB-SP) concede entrevista. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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Marcelo Castro foi um dos sete dos 67 peemedebistas a votar contra o impeachment.

Ao justificar seu voto naquele 17 de abril, disse:

“A presidente Dilma não matou, não roubou, não tem contas no exterior, não descumpriu nenhuma lei. É uma pessoa digna, honesta e honrada. Não há crime de responsabilidade. Não há crime nenhum. Todo esse processo é forjado, artificial e falso”.

Claro que seria chiquérrimo (de novo) ver um comunista presidir um parlamento nacional, como Aldo e Fausto Bertinotti.

Assim como teria seu charme uma social democrata de boa cepa e da velha guarda como Luiza Erundina.

Mas política exige ter posição e não costear o gueto. Pelo menos para quem acha que se governa por dentro da democracia.

A esquerda conseguiu governar o Brasil depois de governar estados e municípios, fazer alianças e experimentar políticas públicas e gestão para além de palavras de ordem e lista de exigência.

O que houve na eleição da Câmara foi uma enorme demonstração de força do PSDB e de Serra sobre Temer.

Se a nova oposição, mais a Rede, tivesse blocado em Marcelo Castro teria ido ao segundo turno uma candidatura que votou contra o Impeachment, favorável à solução democrática da crise e até a reforma política.

O parlamento teve que escolher entre salvar o sistema político e incrementar o retrocesso social, alterando apenas a ordem dos fatores.

O purismo pariu uma bolacha Tostines repleto de sal para a sociedade.

Acima no continente, na noite anterior, Bernie Sanders dclarou apoio à Hillary Clinton.

Maior do que as primárias, parar Donald Trump.

Mais olhares para coisas assim. Menos doutrinarismo tosco e ortodoxias inúteis.

Mesmo em situações adversas, é para frente que se anda. O passo da vez não é se abraçar com o “racha do PSTU”, é assumir a defesa dos direitos humanos, da democracia social, da ação estatal contra as falhas de mercado, a transparência radical como ponto de partida, superando ranços desenvolvimentistas que não a fusão de crescimento com distribuição de renda como condição essencial para o desenvolvimento.

A vida requer coragem. Mas coragem não é para dar um tiro na própria cabeça.

A grande ausente da noite foi a reforma política, que teria tudo a ver com a luta contra este impeachment.

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Cortes 247

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