Para os teóricos da conspiração

Ex-integrantes de carreiras jurídicas federais necessitam de uma "fakeada" que os promova no cenário político

Sergio Moro e Polícia Federal
Sergio Moro e Polícia Federal (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado | REUTERS/Leonardo Benassatto)


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1. 28 de fevereiro: o CNJ decide afastar Marcelo Bretas, juiz federal, um dos expoentes da Operação Lava Jato, no Rio de Janeiro;

2. 2 de março: em entrevista a Reinaldo Azevedo, o presidente Lula anuncia que pode nomear o advogado Cristiano Zanin para a primeira vaga no Supremo. Zanin se destacou em desmontar, no âmbito dos processos judiciais, apontando razões jurídicas, o lawfare que caracterizou a cada vez mais desmoralizada Operação Lava Jato comandada por Sérgio Moro;

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3. 17 de março: o juiz Eduardo Appio, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, revoga a ordem de prisão contra o advogado hispano-brasileiro Tacla Duran, que há anos vem denunciando ter sido chantageado por um emissário de Moro, sócio da "conja" em escritório de advocacia no Paraná, a quem teria dado em pagamento 5 milhões de reais em adiantamento a um certo "DD" para livrar-se da prisão;

4. 20 de março: o mesmo juiz Eduardo Appio emite ordem de prisão contra Alberto Youssef, o doleiro que figura na origem da Lava Jato e muito tem a contar sobre segredos da desmoralizada Operação;

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5. Os membros da Orcrim da Lava Jato entram em inescondível pânico e começam, pelas redes sociais (Moro e Dallagnol à frente, ambos agora contando com o peso político de serem senador e deputado federal), um forte movimento de ataques ao juiz Appio;

5. 20 de março: com rapidez inédita para um caso da Lava Jato, um desembargador do TRF-4 revoga a prisão do doleiro, antes que ele diga qualquer coisa sobre os segredos da Operação;

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4. 20 de março: o juiz Appio, apontando outras razões,  expede novo mandado de prisão contra Youssef;

5. 20 de março: com agilidade de um gato, o mesmo desembargador concede um segundo habeas-corpus ao doleiro;

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6. 21 de março: enquanto Alberto Youssef deixa a prisão, Appio intima Tacla Duran para depor sobre fatos no âmbito da Lava Jato.  Novo tremor de terra na areia movediça em que se afundam os expoentes da Operação;

7. 21 de março: Lula concede entrevista ao Brasil 247 e, descontraído, conta que, quando esteve preso em Curitiba, dizia a procuradores da República que o visitavam que tudo só estaria bem quando "eu f***r o Moro";

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8. 21 de março: meia hora depois da fala de Lula, a juíza Gabriela Hardt, substituta da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que se notabilizou ao interrogar o então ex-presidente e o advertir, de modo arrogante, de que "se continuar nesse tom vamos ter problema", assina os mandados de prisão e de buscas e apreensões contra integrantes do PCC, acusados de montar plano contra autoridades de São Paulo e diversos outros estados, incluindo Sérgio Moro, hoje senador pelo Paraná, sua esposa Rosângela, deputada federal, e filhos, em vingança por uma portaria que ele assinou em 2019, quando era Ministro da Justiça de BolsoNero, em que proibiu visitas íntimas a presos em penitenciárias federais;

9. 21 de março: três horas depois, Sérgio Moro já concede entrevista à imprensa e, ao invés de agradecer ao governo federal por ter desbaratado a quadrilha - operação da qual ele tinha conhecimento desde o início, em janeiro de 2023 - e ter salvado a si e seus familiares, opta por tirar proveito político e ataca Lula por suposta indução a populares a agirem contra sua segurança e vida, associando a fala "quando eu f***r o Moro" ao plano do PCC;

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Uma operação iniciada há dois meses, já sob o governo Lula, com Flávio Dino ministro da Justiça, que envolvia complexa logística por exigir ações em vários estados e a atuação de vários agentes policiais.

Uma vingança com três anos de atraso contra alguém que já não detém praticamente poder algum - ou seja, pura vingança.

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Uma Operação, a Lava Jato, em franco processo de desmoralização no plano histórico, caminhando para ter investigados e punidos seus principais expoentes, em especial os que abandonaram as carreiras jurídicas vitalícias e altamente remuneradas para se aventurarem no ambiente incerto da Política.

Ex-integrantes de carreiras jurídicas federais necessitando de uma "fakeada" que os promova no cenário político.

Esses são os ingredientes.

Teorizem.

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