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Francisco Calmon

Ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça; membro da Coordenação do Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. Membro da Frente Brasil Popular do ES

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Pitacos do velho ao novo ano

Sem a sociedade civil organizada, mobilizada e presente nas ruas, permaneceremos sob um fio de alta tensão a equilibrar a frágil democracia

(Foto: Arquivo/ABr)
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Se você não acreditasse na humanidade, não cresse de que a coexistência pacífica entre países e a paz entre os povos são possíveis, de que o processo de destruição do planeta é passível de stop e posterior recuperação, não tivesse convicção de que um sistema alternativo ao capitalismo é viável e necessário, se não fosse crente de alguma utopia como sentido da vida, o que faria?

Pensaria no outro? Lutaria por ideais humanitários?

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A ideologia estadunidense e inglesa, calcada nas histórias de cada um dos seus países, é a negativa de todas as indagações formuladas acima.

São o epicentro do egoísmo, da violência, da beligerância, do preconceito, do supremacismo, expressada no imperialismo e colonialismo que exercem e ajudam a manter.

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Até hoje mantêm escolas de torturas e se orgulham dos professores e alunos.

EUA é coerente com sua história beligerante, de terrorismo nuclear, inimigos da paz.

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Qualquer governo dos EUA, democratas ou republicanos, negros ou brancos, é subordinado ao sistema no qual o Pentágono e o complexo industrial militar detêm o real poder.

Quando o império estadunidense deixar de existir, as gerações posteriores irão se perguntar: por que o império do mal demorou tanto tempo para sucumbir?

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A ONU não existe, o que existe é o poder de veto. Enquanto vigorar esse direito para alguns, a totalidade das nações será decorativa de um faz de conta. O que fazer, simplesmente decretar a sua falência? Penso que não é o melhor caminho.

A extrema-direita não é ocasional. É histórica e não faleceu, permaneceu viva, mesmo com a sua derrota militar na segunda guerra.

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Com a guerra fria, o ocidente assumiu a ideologia extremista, sob liderança da Inglaterra e dos EUA. Não travaram uma luta decisiva contra essas ideologias exóticas, pelo contrário, foram adotando-as.

Entrar na OPEP é fazer parte de um cartel, entrar na OTAN é fazer parte de uma organização belicosa, que se mantém, desde os anos da guerra fria, pela divisão bipolar do mundo, são armadilhas que o Brasil deveria evitar.

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A humanidade sem vida não existiria, a guerra é o teatro da morte, portanto, guerra é antítese da vida e anátema da humanidade.

Se Israel não sofrer punição pelos seus crimes, semelhante à que a Alemanha sofreu, será o atestado de que a vingança punitivista desmedida passará a ser uma nova lei de talião e que o genocídio é um crime impunível.

A história não mente. A perseguição ao povo palestino é constante!

A possibilidade da existência de um Estado palestino nestas e nas futuras circunstâncias virou uma quimera. Mais prováveis novos pesadelos do que o sonho árabe realizado, independentemente de ter sido formalizado em resolução da ONU de 1948, salvo se a China, Rússia, Índia, Turquia, entre outros, o adotarem.

Fascismo é genérico, bolsonarismo é o neonazifascismo brasileiro. Por ora deve ser o termo usado, mais apropriado, como no passado tivemos o integralismo. E não será denominando-o genericamente de fascismo, como a Janja sugeriu, que o tornará mais visível ou reconhecido como força de extrema-direita, pelo contrário, dilui na generalidade.

Debater o papel da primeira dama, função importada dos EUA e França, tornou-se necessária, antes que tudo ou nada caiba nesse papel.

Maior protagonismo da primeira dama e sua extrapolação surgiu com a Michele Bolsonaro e não com Janja Lula da Silva, mas, a companheira do Lula, por tudo que representa para o Presidente da República e por ter mais cultura política do que a anterior, é espaçosa, assertiva e incomoda muito mais a muita gente, se com justiça e acerto, a história futura irá mostrar. Até lá é entender que ela se transformou no alter ego do Lula, na sua segunda pele. Afinal, uma namorada que passou os 580 dias da prisão dele, assistindo-o de todas as formas possíveis, não precisa de provar mais nada quanto ao seu amor e companheirismo.

Segundo versões, foi ela que alertou ao presidente que a GLO no dia 8 de janeiro seria golpe. Salvou a democracia. Esse crédito ninguém pode lhe tirar! Inobstante o autor da proposta, Ministro da Defesa, José Múcio, ainda permanecer como um quinta-coluna no governo.

Compreender e respeitar, sim, mas não debater, é deixar ao léu das circunstâncias e conveniências.

O nepotismo está institucionalizado?

Súmula vinculante número 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.

Quando os jogadores de futebol passaram a ganhar rios de dinheiro (não a maioria), ficaram famosos na mídia social além da desportiva, surgiram as mulheres caçadoras desses endinheirados, a maioria delas, senão a totalidade, visavam a grana, daí foram apelidadas de Maria chuteira, embora não a calçasse e nem jogasse. Contudo, algumas passaram a falar por eles na mídia e nos negócios, algumas viraram empresárias de curto fôlego.

Em Brasília há muitas “Marias sem chuteiras, porém, com saltos altíssimos”. Isso avacalha ainda mais o modo de fazer política no país. Sanear a política de muitos maus costumes é mister, mormente após o que fez e faz a quadrilha bolsonarista.

O resultado eleitoral de 2024 vai mandar um recado direito para o Congresso e o governo. Se a maioria dos eleitos de prefeitos e vereadores for bolsonarista, os riscos de desestabilização da democracia aumentarão muito, se a maioria for de democratas, será o Congresso que irá se rever, porque dois anos depois estará precisando desses eleitos.

Criar um, dois, mil, comitês populares pela democracia, e quantos mais for necessário, para defender a construção da democracia de todas e todos os brasileiros é a meta estratégica perene.

Esses comitês têm que auscultar a sociedade, saber o que ela pensa, o que ela quer, qual o sonho que nutre? Não é chegar com narrativas e fórmulas prontas. Aprendermos a ser ouvintes de seus anseios, pois não sabemos quais são.

Comunicação tem dois lados, emissor e receptor, é a dialógica o modo de relação numa democracia e que precisa prevalecer.

A questão é de comunicação e formação. O que se faz com boas informações se não houver formação teórica para saber processar as informações?

A contradição principal no Brasil e alhures continua sendo entre a democracia e o fascismo, a civilização e a barbárie, a polarização continuará.

Não se deve gastar energias para esclarecer bolsonaristas, as energias devem ser canalizadas para conscientizar os 45% que não são nem bolsonaristas e nem lulistas, nem extrema-direita e nem estão no espectro democrático assumido.

É essa massa que decide eleições, é essa ampla e diversificada camada social que carece de ser esclarecida sobre o que é a luta de classes e o devir histórico de um novo sistema democrático e socialista.

É nesse diapasão que a classe média será ganha para aliar-se à luta da classe trabalhadora, é superar o erro passado de demonizá-la e jogá-la nos braços bolsonaristas.

É na luta cultural e ideológica que atingiremos os adeptos das religiões alienantes e de vieses extremistas.

Considerando como causa estrutural o sistema econômico vigente, a mobilização e a ocupação das ruas devem ser permanentes.

A situação da Argentina caminha para um princpício, vamos lamentar pelos nossos hermanos, contudo, devemos usar como exemplo do risco que o Brasil ainda corre com a existência do bolsonarismo neonazifascista.

O Brasil é um grande país, com potencial colossal, com um povo criativo e trabalhador, recursos naturais imensos e diversificados, mas tem uma burguesia com complexo de vira-lata, submissa ao ocidente, e um empresariado entrelaçado com o capital financeiro estéril.

A inflação baixa e o crescimento do PIB surpreenderam Roberto Campos Neto, presidente do BC, de forma que suas projeções sempre estiveram furadas e a taxa de juros sem amparo técnico e a serviço do rentismo e não do desenvolvimento da economia.

Ele vem cometendo crimes de lesa economia nacional.

Apesar dos golpistas, Lira, Pacheco, Bob Neto, militares e rentistas, ao modo presidencialista de governo, Lula vem tendo um desempenho pra lá de bom.

É claro que para a esquerda, especialmente nós paladinos da Justiça de Transição, como instrumento estratégico para elevar a democracia a superior e consolidado patamar, a precariedade de recursos da Comissão da Anistia e a ainda não recriada Comissão dos Mortos e Desparecidos Políticos, soa como covardia e desprezo à história – onde estão enterrados e como morreram os nossos irmãos brasileiros assassinados pela ditadura?

E os mortos, filhos da periferia social, pela polícia? Até quando a PM continuará a matar pobres, negros, mulheres, e membros do grupo lgbtqi+?

A PM pode ser a melhor e mais bem armada do mundo, que não deixará a sua natureza fascista de enxergar nas favelas e bairros populares seus alvos inimigos.

Não se transformará numa polícia cidadã se não for desmilitarizada e reestruturada completamente.

Quem mandou matar Marielle, esse assassinato se junta as outras chagas mencionadas acima, cuja putrefação seguirá a assombrar a história passada, presente e futura, enquanto não houver coragem suficiente para enfrentar militares, milicias, bolsonaristas, enfim, bandidos, com ou sem fardas, com ou sem togas, professantes do neonazifascismo.

Os três êmes, mídia, militares e mercado, formam a tríade inimiga da democracia social, estão em estado permanente de conspiração e sabotagem a qualquer governo democrático, que priorize as necessidades do povo acima das suas (deles).

Na área econômica o governo tangencia, está ainda bem distante de fazer com que os 10% mais ricos paguem a sua parcela de justiça social para minorar os mais de 45 milhões que vivem ainda em extrema pobreza.

O governo em discurso combate a concentração de renda, mas, por exemplo, as loterias da Caixa Econômica sã estimulantes para aumentar a concentração, visto que o maior porcentual fica com o primeiro lugar, que uma vez sorteado vai fazer parte dos muito endinheirados. Deveria mudar os percentuais, distribuindo mais para os segundos e terceiros lugares e reduzindo um pouco o do primeiro. Menos concentração, mais gente feliz e menos riscos de sequestros e estelionatos.

Por maior que seja a capacidade de Lula em articular, negociar e conciliar, não terá êxito sozinho, já vimos esses filmes algumas vezes, basta passar o retroprojetor da história para lembrar.

Sem a sociedade civil organizada, mobilizada e presente nas ruas, permaneceremos sob um fio de alta tensão a equilibrar a frágil democracia.

Na atual conjuntura isso depende do Lula, e ousar lutar, ousar vencer, não é o seu lema. Ainda!

Meu desejo: que o ano de 1968 inspire o ano de 2024.

Para começar, realizar o repúdio à intentona bolsonarista de 8 de janeiro, no próximo dia 8, segunda feira, em todos os estados e principais cidades.

Lembrar para indignar, lembrar para não repetir, lembrar para pugnar pela prisão do genocida e golpista Bolsonaro, manifestar para organizar e manter acessa a luta pela democracia.

Se Bolsonaro não for preso antes do Carnaval, vai infectar as eleições e será o atestado de falência do sistema de justiça.

No ensejo da substituição de Flávio Dino, substituir o José Múcio por um quadro egresso do MPF, do Judiciário ou do Itamaraty.

Como já escrevi algumas vezes, sou favorável a divisão do Ministério da Justiça e da Segurança em dois, por razões técnicas de desenvolvimento organizacional e também políticas.

O primeiro com Lewandowsk e o segundo com Cappelli, darão muito bons resultados nos três anos que ainda restam, sem infartar ou gerar divórcio de ninguém.

Lula não precisa esquentar a cabeça nesta passagem de ano, pois tem vários quadros de reserva, prontos para servir ao governo.

Descanse, Presidente, e que os astros te iluminem, além da Janja, óbvio.

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