Plano Pró Brasil aproxima militares da esquerda nacionalista

O fato é que o Plano Braga Neto Pro Brasil, resgate da estratégia Geisel, que guarda relação com os ideais da Revolução nacional de Vargas, que serviria de farol para o nacionalismo popular petista, com avanço de conquistas sociais, sintonizadas com a Constituição social democrata de 1988, dá chega prá lá nos entreguistas

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As linhas gerais do Pro Brasil, lançado pelo general Braga Neto, não, apenas, enterram o neoliberalismo de Paulo Guedes, que deu, até agora, as cartas no governo Bolsonaro, mas, sobretudo, aproximam os militares da esquerda. Não se deve esquecer que os verdes olivas consideram que as suas grandes conquistas contemporâneas estão inscritas no PLANO NACIONAL DE DEFESA(PND) e na ESTRATÉGIA DE DEFESA NACIONAL(EDN), aprovadas, no Congresso, em 2005 e 2007, respectivamente, como decisão política do presidente Lula, apoiado pelo Congresso Nacional, com grande entusiasmo pelas Forças Armadas.

No PND e na EDN, segundo o general Villas Boas, então comandante do Exército, em 2016, em palestra no CEUB, estão as bases essenciais da Defesa do território, sem as quais não é possível falar em Soberania Nacional. O desenvolvimentismo econômico, frisou, está na base do PND e na EDN, porque nenhum país capitalista, até hoje, desenvolveu-se sem cuidar da defesa nacional, como estratégia geopolítica essencial. E essa iniciativa implica política nacionalista desenvolvimentista, para alavancar ciência e tecnologia a serviço da produção e da produtividade.

O sucateamento neoliberal bolsonarista, alinhado a Washington, comandado pelo ultraneoliberal Paulo Guedes, é o oposto do sonho nacionalista militar, que o capitão presidente desarticula, quanto mais se aproxima da ultradireita americana, cuja pregação geopolítica é a de que as Forças Armadas, no continente sul-americano, devem ter papel de meras polícias. O comando estratégico geopolítico, para os americanos, deve ficar com Washington, no que diz respeito à América do Sul, em obediência aos pressupostos da Doutrina Monroe, de 1823, cuja máxima é a América para os americanos, em primeiro lugar.

De modo que o Plano Braga Neto, ao sintonizar-se com o PND e a EDN, aproxima mais os militares da esquerda nacionalista do que dos neoliberais que estão, com Guedes, sucateando o Estado e seus braços essenciais, para tocar o desenvolvimento nacional sustentável, que são as empresas estatais, principalmente.

O fato é que o Plano Braga Neto Pro Brasil, resgate da estratégia Geisel, que guarda relação com os ideais da Revolução nacional de Vargas, que serviria de farol para o nacionalismo popular petista, com avanço de conquistas sociais, sintonizadas com a Constituição social democrata de 1988, dá chega prá lá nos entreguistas.

E mais: deixa o mercado especulativo em polvorosa, no auge da crise econômica, aprofundada pelo novo coronavírus. Tal circunstância impõe necessidade de mais e não menos Estado para enfrentá-la, antes que o País seja, completamente, destruído.

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