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Inez Lemos

Psicanalista e autora de "Berro de Maria", ed. Quixote.

15 artigos

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Política e psicanálise

É impossível debater política sem repensar o ambiente subjetivo, as relações - como estamos educando as crianças - futuros politicos

(Foto: Reprodução)
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A política como um campo de trabalho que envolve relações pessoais, relações de poder, formas de comunicação, merece ser analisada em sua complexidade. 

"O inconsciente é estruturado enquanto linguagem" (Lacan). Significa que somos orientados pela cultura - pelo que ouvimos, presenciamos, sentimos. Assim sendo, podemos afirmar que o inconsciente faz parte da vida política. Quando um político ou empresário age, decide, sua atuação tem alguma conexão com o inconsciente. Não somos apenas um corpo biológico, mas um corpo erógeno, pulsional recheado de marcas simbólicas, afetivas. 

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É impossível debater política sem repensar o ambiente subjetivo, as relações - como estamos educando as crianças - futuros politicos. Como estão sendo estruturadas, contaminadas?

O cenário não é muito animador: midias corporativas, redes sociais, fake news, pais e mães omissas, cultos fundamentalistas. Empresas de tecnologias que visam atingir seus interesses pelo controle social - algoritmos que sustentam os bilionários do caos.

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Importa investigar a gênese dos sintomas - diagnósticos  que se multiplicam e colocam a sociedade a mercê dos likes malévolos sobre o mundo.

O livro: "A máquina do caos" de Max Fisher denuncia um futuro sombrio ao analisar a presença das redes sociais na vida de crianças e adolescentes, provocando depressões, suicídios. 

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O isolamento provocado pela tecnocultura possibilita o crescimento de crimes como Cyberbullying, quando as crianças tornam-se alvos dos lobos maus da cena cibernética. 

Há várias ações que podem ajudar no combate ao Cyberbullying, uma delas é as famílias pressionarem os colégios ou governantes para proibirem o uso de celulares em seu interior. A política requer a participação dos cidadãos na regulamentação de suas leis. O psicanalista Hélio Pellegrino nos confirma: "Pacto edípico, pacto social". A rua é extensão da casa.

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Vivemos uma espécie de "Tirania da individualidade" em que a liberdade individual deva ser respeitada mesmo em detrimento de outros. É o privado ocupando o espaço do público. Sufocando e se impondo, confundindo as crianças sobre a lógica civilizatória, distorcendo regras básicas da ética do bem conviver. 

A disputa nas escolas ganhou um fator novo, a humilhação. "O acesso barato, anônimo, instantâneo e onipresente à Internet acabou com a maioria dos controles naturais da humilhação" (Max Fisher). A Internet, muitas vezes, tornou-se o lugar de vingança dos rejeitados, excluídos que sofrem ou sofreram bullying. Revidar a maldade do mundo que os tratam com desprezo. Devemos investigar os rastros das crianças que sofrem depressão, podendo até cometerem suicídio. Os que se sentem desconectados acabam se engajando em sites onde os  antissociais são acolhidos e estimulados a revidar o sofrimento, jorrando raiva sobre seus algozes. 

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Ao educar, devemos lembrar que as redes sociais estão reprogramando a mente de nossas crianças. Sendo o cenário em que elas circulam uma verdadeira tirania digital, a educação passa a sofrer sérias mudanças. Como vigiar e proteger sem punir? Como intervir sem desrespeitar a individualidade? Como controlar sem sufocar a autonomia? Qual o limite das ações preventivas que pais e educadores devam exercer? 

O momento exige que a sociedade seja convocada a debater as novas condutas, regulamentando e evitando a escalada de crueldade que alimenta as redes sociais. 

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Vale lembrar que o engajamento permite gozo, satisfação ao liberar uma substância química neurotransmissora - dopamina. A dopamina provoca estímulos por meio das notificações - é cúmplice das mensagens dentro do cérebro, quando o usuário torna-se refém ao explorarem sua fragilidade psicológica. 

Todo esforço no sentido de conter o avanço do sadismo nas redes sociais passa em  melhorar a qualidade do ambiente escolar e de convivência social. Melhorar a autoestima da galera, fortalecer sua identidade, criatividade. Construir um lugar em que cada qual se sinta confortável e menos exposto às tiranias que povoam as telas.

Contudo, melhor é promover a contaminação do inconsciente das crianças pelo bem, ética e arte - não pelo mal, ódio e vingança. Grande desafio. 

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