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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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Política pra você

"Precisamos nos instruir, saber das decisões políticas, não adiantam meras reclamações de botina velha"

Funcionários da Justiça Eleitoral preparam urnas eletrônicas para eleição em Porto Alegre 23/09/2022 (Foto: REUTERS/Diego Vara)
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Detesto política! É o que mais se ouve de quem se frustrou com o seu candidato, mas a política é... a política.

Em terra de cego quem tem um olho é rei, em terra de avestruz o pardal manda. Precisamos nos instruir, saber das decisões políticas, não adiantam meras reclamações de botina velha.

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Qual bairro ou entidade não precisa negociar sua pauta, fazer-se representar? É legítimo aos cidadãos defenderem soluções conjuntas, saneamento, ônibus, arruamentos, praças, escolas ou postos de saúde.

O termo política advém de Pólis, cidade-estado. As pólis surgiram no relevo montanhoso da Grécia com vários aglomerados urbanos nas inter-relações econômicas e composições semelhantes de assembleias populares, conselhos, magistrados e cultura. Se eventualmente vencidas em batalhas, os conquistadores não conseguiriam governar Pólis, devido à cultura forte e coesa delas.

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Na Democracia, grupos organizados podem mudar o rumo da má política. Os LGBT eram “invisíveis” na sociedade. Porém, constituíram-se em movimentos sociais com bandeiras e pautas, de que eram consumidores como todo mundo, força econômica ao país, com direitos constitucionais, e conseguiram avançar.

No século XIX, o estadista alemão Otto Von Bismarck dizia que “Política é a arte do possível” – e pronto. Só que não, cá entre nós, Fernando Henrique foi além dessa definição alemã de política “do possível”, por aqui emendou o sociólogo, que é “... a arte de tornar o necessário possível”.

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Entenda-se. É arte no sentido de articulação, de possibilitar, de conversar, derrubar empecilhos, olhar nos olhos do adversário, avançar ou recuar, encontrar caminhos, os meios e a hora oportuna de alcançar o que se necessita, ainda que sem ganhar tudo de imediato. Talvez, para os incrédulos da política, essa seja mesmo a “arte do impossível”, ou, quem sabe, a sorte individual de uma loteria ou par de botinas nas eleições.

Entretanto, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”, poetou Fernando Pessoa. Não se faz política sem renúncia, muitas vezes dolorosas. Perguntado no Roda Viva, Prestes disse que não fazia política pelos seus ressentimentos ou rancores pessoais, mas diante de situações concretas. Vargas extraditou Olga Benário à morte certa na câmara de gás nazista. Ainda preso, o comunista apoiou o algoz no plano de envio dos pracinhas à Itália. Vencidos os nazistas na Europa, por efeito dominó caiu também o governo de Direita no Brasil.

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Felizmente, vai enfraquecendo essa onda burlesca, violenta, farsesca, repressora, bravateira. A vida comum no Brasil é retomada aos poucos. Muitos se dão bem em sua rua até descobrir que o vizinho é ativista ou de esquerda. E daí? Que bobagem é essa? Cada um tem o direito de se agremiar a qualquer partido, desde que legalizado!

Troquemos as botinas por pautas permanentes no bairro. A política é pra você!

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