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Paulo Silveira

Sócio fundador do Observatório das Adições Bruce K Alexander (www.observatoriodasadcoes.com.br). Membro fundador do movimento "respeito é BOM e eu gosto!" (www.reBOMeg.com.br)

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Psicoterapia Corporal em Grupo (VII)

Cada psicoterapeuta tem seu critério para escolher seus pacientes e temos que respeitá-lo

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VI) Alguns critérios para optar pela psicoterapeuta em grupo

"A vitória da escola sobre o professor particular é uma história muito antiga e já hoje muito definida. Costumo dizer que até a rainha da Inglaterra manda seus filhos para o colégio. Educação é uma atividade grupal e coletiva. E não vejo por que não se deva pensar assim em termos de psicanálise. "([1])

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Algo fundamental e diria mesmo que até determinante para todo o processo terapêutico é o seu início. Se não existir empatia e conquista da confiança, o processo se engasga, não flui e consequentemente, não acontece.

Cada psicoterapeuta tem seu critério para escolher seus pacientes e temos que respeitá-lo, contanto que não fujam de uma determinada ética.

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"...Os pacientes que insistem em continuar sendo criminosos não são candidatos à terapia, exceto nos casos de cleptomaníacos, de pessoas com desvios sexuais e de viciados em drogas. Estes tipos não são criminosos, mas sim doentes, no sentido médico do termo. O psicoterapeuta, nestes casos, deve estar convencido da sinceridade e dos propósitos do paciente a ser ajudado. Os homossexuais não são, em geral, bons candidatos, não porque não possam ser ajudados, mas porque os motivos que os trazem não são bons em geral. É raro incomodarem-se com sua situação e apenas o estigma legal ou social é que os afeta."([2])

 Levando-se em consideração que a questão criminal é temporal e cultural, a partir desse texto supre citado, Baker jamais teria sido psicoterapeuta de Jesus Cristo, Oscar Wilde, Fidel Castro, Wilhelm Reich e se, vivesse na sociedade descrita no livro 1984 de George Orwell, de todas as pessoas que se predispusessem a amar.

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 É ... eu e Baker temos diferentes critérios. 

Não tenho essas certezas todas, o que não quer dizer que frequentemente não me engane.

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 Para que eu escolha uma pessoa para ser minha paciente é essencial que:

1.  esse indivíduo tenha algo que eu deseje aprender com ele;

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2.  se estabeleça um vínculo afetivo entre eu e ele;

3.  que eu acredite, efetivamente, no paciente a ponto de poder me tornar seu cúmplice;

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4.  tenha prazer na relação com o paciente;

 Para que o processo prossiga de uma forma saudável, além de todas as características citadas anteriormente, é preciso eu perceber que o paciente se sente livre em seu espaço terapêutico, podendo experimentar suas sensações provenientes do exercício dessa liberdade.

 Toda vez que eu desrespeito esses parâmetros, me dou mal e a consequência é que a relação com o paciente, frequentemente, se esgota rapidamente.

Em decorrência, faço sempre até 4 entrevistas, que não são cobradas do paciente, para podermos nos escolher e estabelecermos nosso vínculo inicial.

Só depois de sentir que esse vínculo está assegurado, ou seja, que eu escolhi efetivamente aquela pessoa para ser minha paciente e que eu fui escolhido por ela como seu terapeuta, a psicoterapia tem seu início. 

Nesse momento, faço questão, inclusive, de mudar o nome de nossos encontros de entrevista para consulta e tudo que diz respeito ao nosso contrato de trabalho é tratado, inclusive o preço da sessão.

Certa vez fui procurado por um policial que queria fazer terapia comigo.

Logo na primeira entrevista, ele tirou uma arma da cintura e a colocou ao seu lado. Conversamos a respeito da presença da arma e acordamos que ele não traria mais a arma para a terapia.

Na segunda sessão ele começou a falar sobre seu trabalho e, principalmente, pelo fato da violência que empregava no trato com pessoas com determinadas características.

Na terceira sessão, ele passou o tempo todo narrando sua relação com os presos e a violência que praticava contra eles, embora não achasse correto o que fazia.

Na quarta sessão, ele de novo partiu para a narração de sua relação com os presos e eu o interrompi, dizendo a ele que eu não tinha estrutura para atendê-lo, que com certeza ele precisava fazer terapia, mas não comigo. Dei-lhe 3 sugestões de psicoterapeutas que eu sempre indicava pacientes para eles e encerramos nossos encontros.

Ele acabou fazendo terapia com um dos indicados por mim, com quem criou um forte vínculo durante muitos anos.

O processo terapêutico comigo sempre inicia-se em sessões individuais e a passagem para a psicoterapia corporal em grupo não tem prazo para ocorrer e, às vezes, nem ocorre, embora um dos objetivos de meu trabalho seja levar o processo terapêutico para ocorrer em grupo.

No início do meu trabalho com grupos, estabeleci alguns critérios para seleção dos pacientes, mas com o tempo, percebi que os critérios tinham que ser flexíveis, pois cada paciente é um indivíduo completamente diferente do outro e cada grupo mais diferente ainda.

São inúmeros os fatores que interferem no aproveitamento do trabalho em grupo, que vão desde o momento que o grupo está vivendo e, portanto, se está aberto para receber um novo integrante ou não, até a disponibilidade do próprio paciente em participar de uma psicoterapia em grupo.

Os critérios que permaneceram para a escolha dos pacientes que irão participar de um grupo são:

  que eles desejem fazer psicoterapia em grupo

Percebi que de nada adianta um paciente ir para um grupo de psicoterapia se ele efetivamente não deseja, uma vez que a frustração é o que de pior pode ocorrer. Quando o paciente não deseja, mesmo que eu acredite que seria muito bom para ele ingressar em um grupo, respeito seu desejo e contínuo o processo em sessões a dois sem nenhum problema. Parto sempre do princípio de que o paciente é quem sabe de si, eu suponho.

· que o paciente tenha uma estrutura que permita sua exposição em grupo.

A psicoterapia em grupo tem sido cada vez mais difícil para as pessoas participarem, uma vez que a pandemia COVID 19 nos levou a um isolamento profundo, com a comunicação através da WEB iludindo a grande maioria das pessoas como se ela fosse suficiente. Assim, o processo da psicoterapia em grupo presencial teve adicionado um novo ingrediente: reaprender a conviver presencialmente com o outro, expondo-se intensamente, sem subterfúgios.

Estar com o outro presencialmente é redescobrir que temos cheiro, tato, tons diversos de vozes, olhares que expressam o que se passa conosco independentemente de nosso desejo etc.

Tem sido difícil, mas muito rico e bonito.

· que o paciente tenha como necessidade maior a realização e não a elaboração da vida. 

Como já vimos anteriormente, na psicoterapia em grupo é necessário "realizar-se" o tempo todo. Não se tem muito espaço para postergar a vida. O tempo de elaboração é curto e precioso.

· que os pretendentes tenham questões que possam ecoar no grupo e outras que os diferenciem dos demais. 

· que exista um vínculo entre mim e o paciente, de tal maneira que: 

- eu possa distinguir a diferença de comportamento do paciente na terapia a dois e em grupo; 

- o paciente se sinta seguro no grupo, com a garantia da nossa relação, possibilitando assim uma participação mais intensa; 

- o paciente possa distinguir a diferença entre a sua relação terapêutica com o grupo e comigo, ficando marcado para ele que eu sou o psicoterapeuta e, portanto, a responsabilidade do que ocorre no grupo é minha;

- que a nossa relação de confiança garanta ao paciente que o que me foi falado na relação a dois não será exposto por mim no grupo, cabendo a ele expor ou não. 

  [1] Py, Luis Alberto; Grupo sobre Grupo, ed. Rocco [2] Baker, Elsworth F., O Labirinto Humano, ed. Summus

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