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Florestan Fernandes Jr

Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

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Quanto vale para a Folha as mortes de civis em operações contra o narcotráfico?

"É o caso de se perguntar: Qual o custo das operações da PM de Tarcísio nas operações desastrosas nas comunidades da baixada santista?", escreve Florestan

(Foto: Divulgação)
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Após 50 dias de buscas, agentes da polícia federal recapturaram em Marabá (PA), sem disparar um único tiro, os dois criminosos que fugiram da penitenciária federal de Mossoró (RN). Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, o “Deisinho” pertencem à facção criminosa Comando Vermelho (CV) e estavam prestes a fugir do país. 

No comboio de três carros envolvidos no plano de fuga do Brasil, os agentes policiais prenderam ainda outros quatro integrantes do CV. 

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Mais que isso: durante as investigações, a PF localizou, através de escutas telefônicas, 14 pessoas ligadas à facção criminosa que também participaram da operação que retiraria os traficantes do país. 

Fica claro que os dois fugitivos não eram “bagrinhos” e provavelmente cumpriam papel importante na hierarquia do Comando Vermelho na região norte do país. 

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No entanto, para a Folha de São Paulo, a principal notícia de ontem (4/4) não foi o sucesso da operação de inteligência que integrou as polícias federais, estaduais e municipais, mas sim o custo de R$ 6 milhões gastos na recaptura dos presos de Mossoró.

É o caso de se perguntar ao jornal paulista: Qual o custo das operações da PM de Tarcísio nas operações desastrosas nas comunidades da baixada santista, por exemplo? Qual o custo de helicópteros, balas, motos, carros, combustível e, principalmente, da morte de inocentes nessas operações? Quanto vale, para a Folha, a vida de crianças, mulheres, idosos e mesmo de policiais mortos nesses tiroteios? 

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Só nos três primeiros meses deste ano, a PM paulista matou 207 pessoas. Uma média de 69 mortes por mês. 

A média mensal de mortes no estado de São Paulo este ano cresceu 81% em relação a 2023. 

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Entre os mortos por balas nem tão perdidas assim estão pessoas simples como dona Edneia Fernandes, de 31 anos, mãe de seis filhos. Ela foi morta no dia 27 de março durante uma das inúmeras operações desastradas da PM paulista em Santos. 

Amigos e parentes de Edneia garantiram à reportagem da TV Globo que a versão divulgada pela secretaria de segurança de Tarcísio - de que os tiros foram disparados por motociclistas que passavam no local - não é verdadeira. Segundo eles, houve apenas um tiro, que foi efetuado por um dos três policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) que passavam pela rua onde ocorreu a morte de Edneia.  O saldo da Operação Verão deste ano na Baixada Santista é o estarrecedor número de 55 mortos. 

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Fica a pergunta: quanto vale cada uma dessas mortes? Para o governador, muito pouco. Ele mesmo disse que “não está nem aí” para as denúncias de moradores e entidades sobre os excessos praticados nas ações da PM paulista. 

É inacreditável ver setores da mídia corporativa fortalecendo o discurso da extrema direita de que bandido bom é bandido morto. 

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A operação comandada pelo ministro Ricardo Lewandowski

deveria servir de modelo para as polícias estaduais. São elas que, nas últimas décadas, entram nas comunidades atirando indiscriminadamente em traficantes e moradores. É uma guerra perdida para a polícia e principalmente para a população pobre das periferias. É urgente a integração das polícias e uma mudança de rumo na segurança: mais inteligência e menos balas.

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