Queda de braço com a Petrobrás

Que forças são essas, que enfrentam o presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Banco Central, todos críticos da política de preços em vigor?

www.brasil247.com - Petrobrás
Petrobrás (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


A queda de braço em curso em torno da política de preços de combustíveis e de

petroquímicos praticada pela Petrobrás evidencia a força dos protagonistas. De um lado,

o presidente Bolsonaro, que em fevereiro último afastou da empresa o seu presidente

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Castello Branco, justamente por discordar da política de preços, e do outro, apoiada pelo

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"mercado", a Petrobrás, entrincheirada na defesa dos "preços de paridade internacional",

que já provocaram, somente neste ano, mais de 50% de aumento, impactando a inflação,

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

afetando particularmente os mais pobres que, com o preço do botijão de gás nas alturas,

recorrem mais e mais à lenha para cozinhar alimentos, tudo contribuindo para derrubar

a popularidade do presidente. De prático, até aqui, a saída de Castello Branco só

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

produziu a abertura de mais um general em presidência de estatal, pois Silva e Luna, o

novo presidente, ao sair de Itaipu, teve como sucessor o general Ferreira.

Que forças são essas, que enfrentam o presidente da República, o presidente da Câmara

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

dos Deputados, o presidente do Banco Central, todos críticos da política de preços em

vigor?

Para sabermos, é preciso recuar no tempo. A Petrobrás, quando foi criada em 1953 tinha

como objeto livrar o país da dependência das multinacionais que controlam o setor no

mundo, assegurando o abastecimento de combustíveis e de petroquímicos a preços

módicos, de modo a remover o principal entrave ao desenvolvimento, já que sào

insumos que impactam toda a cadeia produtiva. Sendo assim, por décadas a empresa

atendeu à sociedade sem que, em instante algum, a sua política de preços fosse objeto

de discussão, nem mesmo pelos setores mais especializados afetos ao tema. Tudo

começou a mudar quando a Petrobrás encontrou o Pré Sal, a maior descoberta de

petróleo das últimas 4 décadas, o que veio atiçar o interesse das multinacionais do setor

a abocanhá-las. Estavam todas com muitos recursos disponíveis e reservas de petróleo

cadentes. A Petrobrás, para explorar o Pré Sal, teve de se endividar, o que foi amenizado

em 2010 pelo maior lançamento de ações da História à época, na Bolsa de Nova York.

Teve início, então, campanha sistemática para desacreditar a empresa. Ineficiência,

corrupção, altíssimo nível de endividamento, passaram a ser veiculados diuturnamente,

para apagar da memória o papel por ela desempenhado ao longo da sua história.

Em 2015, no segundo mandato de Dilma Rousseff, assumiu a direção da empresa

Aldemir Bendine, com uma diretoria alinhada aos interesses do "mercado". Inicia-se

então o desmonte da Petrobrás, símbolo da nossa capacidade criadora, a maior empresa

da América Latina, uma das maiores petroleiras do mundo. Em maio de 2016, Dilma é

afastada da presidência por impeachment, cedendo o posto a Michel Temer. Uma das

suas primeiras providências foi a de assegurar a aprovação do projeto do senador José

Serra, que retirava da Petrobrás a condição de operadora única das reservas do pré-sal, compromisso de campanha assumido por ele com as multinacionais do setor em 2010, quando foi derrotado por Dilma. Na mesma ocasião, Temer afastou Bendine da

presidência da Petrobrás, o substituindo por Pedro Parente, mantendo entretanto o

restante da diretoria. Parente, então, radicalizou o desmonte da empresa: afirmou que

as reservas do pré-sal haviam sido sobrevalorizadas, para justificar a venda, por preço

vil, do Campo de Carcará, o melhor da reserva, à estatal norueguesa Statoil. Definiu como

objetivo central da empresa a produção e exportação de petróleo bruto, retirando dela o

caráter verticalizado, "do poço ao posto", como diz o jargão do mercado, para abrir

espaço às multinacionais do setor, no refino, na distribuição, na bio energia. Foi ele quem

estabeleceu o tal "preço de paridade internacional", que nada mais é que aplicar aqui o

preço estabelecido por elas para utilização nos mercados que controlam, mormente os

de países que não produzem petróleo.

A queda de braço, portanto, é com as multinacionais do setor, hoje grandes

importadoras de combustíveis e de petroquímicos. É com os acionistas encastelados na

Bolsa de Nova York. É com Paulo Guedes, o ministro da Fazenda que, insensível ao

clamor da cadeia produtiva, do agro aos serviços, ao clamor dos caminhoneiros da base

de apoio do presidente Bolsonaro, à indignação com os sucessivos aumentos do preço

do botijão de gás, o que leva o povo a voltar a usar lenha na cozinha, sustenta a

necessidade de privatizar a empresa. Vale gás, subsídios ao botijão, não resolvem o

problema, apenas escondem-no. A Petrobrás, manietada pela política de preços em

vigor, mantém ociosas as refinarias que ainda opera, foge ao objeto da sua existência,

embora mantenha e até eleve sua margem de lucro. Defende-se ao afirmar que o preço

de venda nas refinarias é muito onerado pelos impostos estaduais. Ora, estes têm as

mesmas alíquotas há mais de 3 décadas, estabelecidas que foram na esteira da

aprovação da Constituição de 1988. Voltamos, pois, aos idos da década de 50 do século

passado, quando a política de petróleo era totalmente subordinada aos interesses das

multinacionais do setor. Enfrentá-las é um impositivo de soberania, de subordinação da

Petrobrás ao seu objeto precípuo, o de atender, a preços módicos, o nosso mercado

interno para viabilizar o desenvolvimento.

Restabelecer a política de preços adotada pela Petrobrás, desde a sua criação até a

gestão Parente, é o que se impõe. Oxalá o Governo Federal resolva a queda de braço

em favor do interesse nacional.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email