Opinião

Recados do segundo turno

O resultado do segundo turno confirma a vitória do campo do governo Temer, com fortalecimento do PSDB, que governa 24% da sociedade e 7 capitais. Sinal de que, apesar do Impeachment, a democracia funciona, quando se revela o crescimento do principal partido da antiga oposição diretamente proporcional à crise do principal partido da antiga situação

O resultado do segundo turno confirma a vitória do campo do governo Temer, com fortalecimento do PSDB, que governa 24% da sociedade e 7 capitais.

Sinal de que, apesar do Impeachment, a democracia funciona, quando se revela o crescimento do principal partido da antiga oposição diretamente proporcional à crise do principal partido da antiga situação.

Ou seja: o eleitorado migrou de partido, como “castigo eleitoral”, como ocorre nas grandes democracias ocidentais.

O índice alto de abstenção e votos nulo/branco pode ser creditado na crise política e, sobretudo pelos efeitos da operação Lava Jato e ele parece vinculado duplamente à crise do PT.

Primeiro, como desencanto de parte do eleitorado do PT com o partido. Segundo, pela ausência do partido no segundo turno.

Porém, o ascenso do PMDB e do PSDB deixa claro que não se trata de uma delenda generalizada. Esta parte do eleitorado se mobilizou, votou e ganhou.

Com todo este ativo, vai ser grande a disputa no ninho tucano.

Não brotou das urnas uma efetiva alternativa ao PT.

O PSOL foi esta via o mais rapidamente desconstruída da história recente: durou apenas o intervalo de um turno eleitoral ao outro. A vitória de Ciro em Fortaleza apenas consolidou sua força estadual.

Lula, líder das pesquisas de primeiro turno, segue sendo o eixo-de-força, mas o PT só escapará de uma derrota mais acachapante ainda em 2018 se, ao invés de procurar o caminho do isolamento entre a esquerda e do Dilmismo – amplamente derrotados nestas eleições – se incorporar radicalmente ao Lulismo.

Por fim, o desastre eleitoral das esquerdas, simbolizadas pela debacle do PT, encontram sua explicação mais plausível na herança de 10% de desempregados ofertada pelos dois anos do segundo mandato da ex-presidenta Dilma.

A Lava Jato desgastou a imagem, sem dúvida, mas Lula foi reeleito, em 2006, apenas há um ano do escândalo do mensalão, com o país crescendo, empregos sendo gerados e política social expandida. Dilma foi reeleita apesar do início da operação, porque prometeu proteger empregos e salários.

A natureza da autocrítica do partido será determinante. Se a aposta se circunscrever às ocupações de escolas no Paraná e à “nova juventude” que brada Fora Temer, o retorno aos anos 90 será inevitável. Só que, desta vez, sem o comando de José Dirceu.

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Cortes 247

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