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Ricardo Nêggo Tom

Cantor, compositor, produtor e apresentador do programa Um Tom de resistência na TV 247

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Relaxa, Lula! Jesus Cristo também é "persona non grata" em Israel

Por que o holocausto congolês que matou 10 milhões de africanos não gera tanta comoção?

Lula e Netanyahu (Foto: Ricardo Stuckert/PR | ABIR SULTAN POOL/Pool via REUTERS)
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É hora de convidarmos toda a sociedade brasileira a uma reflexão sobre o conflito Israel x Palestina que, desde de 14 de maio de 1948, quando da fundação do atual Estado de Israel, organizado dentro da Palestina com o objetivo de proteger os judeus que tinham acabado de sofrer uma perseguição nazista comandada por Adolph Hitler, se intensifica a cada ano que passa motivado por questões de domínio territorial por parte do Estado de Israel, que durante os seus 75 anos de existência sempre buscou ampliar a parte que lhe foi doada dentro do território palestino através de conflitos bélicos apoiados pelo imperialismo norte-americano. Aliás, não seria nenhum exagero e nem correríamos o risco de sermos chamados de antissemitas se considerássemos o atual Estado de Israel como um puxadinho geopolítico dos EUA.

Quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva, durante visita oficial a Etiópia, se manifestou contra os excessos cometidos pelo Estado de Israel, sob o comando de seu primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, contra o povo palestino, sob a égide do direito de defesa aos ataques promovidos pelo grupo Hamas contra Israel, ele estava manifestando uma indignação que toma conta da maior parte da humanidade que está presenciando os trágicos acontecimentos em Gaza. De modo algum, a declaração do presidente Lula pode ser considerada antissemita ou desrespeitosa ao povo judeu. Só a interpretaram dessa forma aqueles que não conhecem o conceito de semitismo – que talvez nem se aplique aos judeus sionistas responsáveis pelo genocídio em Gaza - ou aqueles que querem distorcer a sua fala com interesses políticos espúrios. Como o pedido de impeachment que está sendo engendrado pelos bolsonaristas, e que já conta com a inútil assinatura de mais de 100 parlamentares celerados, que nunca enxergaram um crime sequer de responsabilidade nas ações irresponsáveis, absurdas e genocidas do presidente que eles elegeram em 2018, e que por four long years bestializou e vandalizou o cargo mais importante da política brasileira.

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A comparação feita com o holocausto judeu se refere unicamente à forma como Netanyahu, assim como Hitler o fez durante a segunda guerra, vem conduzindo todo esse processo, penalizando civis palestinos inocentes, sobretudo crianças e mulheres - as principais vítimas do confronto - como se todos eles fossem terroristas e estivessem ameaçando belicamente a segurança do Estado de Israel. O que significa, sim, uma forma de classificar todos os cidadãos palestinos como uma raça a ser extirpada através de uma limpeza étnica necessária para a manutenção da ordem e da segurança do Estado de Israel. A irresponsabilidade social de muitos veículos de imprensa do Brasil e a desonestidade intelectual dos opositores do presidente Lula, que estão repercutindo a declaração do primeiro-ministro israelense que considerou o presidente brasileiro como “persona non grata” em seu território, sob a alegação de que ele teria cruzado uma linha vermelha ao se posicionar contra a reação desproporcional do Estado de Israel contra o grupo Hamas, que só tem vitimado inocentes palestinos, coloca “sub judicie” não apenas o nível de humanidade, mas também o de interpretação de texto vigente em nosso país.

Lula já deveria estar orgulhoso ao perceber quem são os seus detratores nesse momento, tanto na imprensa, quanto no parlamento. E mais orgulhoso ainda deveria se sentir ao constatar que um outro homem, igualmente cheio de detratores e pouco querido pelas elites de seu tempo, também é considerado “persona non grata” em Israel. Esse homem é ninguém menos do que Jesus Cristo, aquele que os cristãos apoiadores de Netanyahu têm como salvador de suas almas, mas que os judeus não querem nem ouvir falar em seu nome. A deficiência cognitiva de uma parte dos bolsonaristas e a má fé da outra parte que compõe o bando, fará a leitura de que estou comparando Lula a Jesus Cristo e entrará com um pedido de impeachment da minha existência. O que me deixaria muito honrado, uma vez que, certamente, eles também apoiariam uma nova crucificação de Cristo caso ele voltasse fisicamente ao nosso convívio. Jesus sofreu com a rejeição dos judeus por não ser, pensar e agir como eles. Dono de um espírito mais elevado, ele não se rendeu aos “rapapés” e “salamaleques” cerimoniais que colocavam os sacerdotes e doutores da lei acima de tudo e de todos. Inclusive, do próprio Deus. Foi sentenciado à morte, mesmo Pilatos não tendo visto nenhum mal em sua pessoa, por jogar na cara dos religiosos que eles não eram bem o que criam ser e nem Deus achavam que eles fossem.

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Quando uma declaração contra uma guerra violenta e sanguinária choca mais do que as cenas perturbadoras dos ataques sofridos pelo povo palestino, onde crianças aparecem sob escombros, decapitadas, e soldados israelenses exibem como troféu peças íntimas de mulheres palestinas que eles acabaram de violar, é preciso convidar a nossa sociedade a uma séria reflexão sobre os rumos humanitários que ela pretende tomar. E foi isso que Lula fez em seu posicionamento, e que Jesus também o fez ao chamar os religiosos judeus de hipócritas e sepulcros caiados. Nenhum confronto geopolítico ou ideologia religiosa pode estar acima da vida humana e do direito de existir de qualquer indivíduo, seja ele judeu ou palestino. E a declaração de Lula foi apenas sobre isso. Em nenhum momento ele se referiu ao povo judeu como cúmplice das ações de Netanyahu, nem ofendeu a memória daqueles que morreram durante o Holocausto, como tenta se fazer crer através da hipocrisia dos bolsonaristas que tem um especialista em matar como salvador, e do “lacaismo” imperialista da imprensa corporativa brasileira, que atende aos interesses dos donos da mídia.

Ao invés de Lula estar sendo cobrado por sua declaração, a irresponsabilidade e a desonestidade daqueles que tentam acusa-lo de ser antissemita e de nutrir ódio pela existência dos judeus é que deveria estar um julgamento. De onde saem? O que eles querem? Do que querem se alimentar? Qual o interesse por trás dessa perversa distorção dos fatos reais. Cito aqui a fala do senador Omar Aziz que passou uma descompostura no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que ensaiou uma reprimenda ao presidente Lula sugerindo que um pedido de retratação fosse feito a Israel. Foi logo trazido à razão ao ouvir de seu colega que em 2021, ainda sob o governo Bolsonaro, parlamentares bolsonaristas receberam uma nazista com honras de chefe de estado e não houve nenhuma manifestação da casa em repúdio ao fato. Sem falar na estética nazista apresentada na peça publicitária do então secretário da Cultura, Roberto Alvim, que encarnava Goebbels com direito a música de Wagner ao fundo. Uma ode ao antissemitismo que não foi submetida a mesma comparação pelos furiosos adoradores de Bolsonaro.

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Outro fato que cabe reflexão, é sobre o porquê de se considerar uma ofensa qualquer comparação feita com o holocausto judeu. O genocídio congolês liderado pelo rei belga Leopoldo II, matou 10 milhões de seres humanos naquele país no final do século XIX, entre os anos de 1885 e 1924. Um dos maiores crimes contra a humanidade cometido em toda a história. Não posso chamar isso de holocausto, de genocídio? Ou será que a vida de alguns seres humanos vale menos do que a de outros? Como os congoleses nunca foram considerados uma raça eleita e um povo escolhido por Deus e “blá, blá, blá, blá”, não há nenhum chilique quando vimos o racismo e a violência social imposta aos negros – o que poderíamos considerar uma continuação do holocausto congolês - ser relativizado ou naturalizado em nossa sociedade. Mesmo sabendo que até os dias atuais, os afrodescendentes têm suas existências desumanizadas, suas culturas demonizadas e sua inclusão social comprometida pelo racismo estrutural. Jesus Cristo chamaria isso de hipocrisia. Mas como ele é “persona non grata” pelos hipócritas, isso não vem ao caso.

Assim como a história cobra até os dias de hoje dos alemães o apoio que eles deram a Adolph Hitler em seu projeto sórdido de aniquilação do povo judeu, ela também cobrará dos apoiadores de Benjamin Netanyahu por todo o sangue palestino inocente que está sendo derramado sob suas ordens. É hora de refletirmos seriamente sobre o que estamos presenciando, para não cruzarmos a linha vermelha da falta de ética, de bom senso e de humanidade. Lula tem razão e Jesus Cristo também tinha.

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