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Paulo Henrique Arantes

Jornalista há quase quatro décadas, é autor de “Retratos da Destruição: Flashes dos Anos em que Jair Bolsonaro Tentou Acabar com o Brasil”. https://noticiariocomentado.com/

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Tarcísio põe polícia “mata-pobre” para investigar crimes

Por que não aprimorar a própria Polícia Civil na função para a qual ela já é afeita e aumentar seus quadros?

Polícia Militar, Morro do São Bento e o governador de SP, Tarcísio de Freitas (Foto: Agência Brasil I Reprodução (YT))
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aumentou na canetada o rol de atribuições da Polícia Militar. Não se sabe se a famigerada truculência da corporação, conhecida por suas operações “mata-pobre”, será também reforçada, mas sabe-se que policiais militares não são treinados para investigar e solucionar crimes - isso cabe a Polícia Civil.

A Polícia Militar, uniformizada, tem papel fundamental naquilo que se chama genericamente de manutenção da ordem pública, ainda que não hesite em sacar e disparar contra pobres e negros, ao passo que é dócil com delinquentes da alta sociedade. Quando a PM entra em greve, por exemplo, a cidade para. Se a Polícia Civil fizer greve, ninguém notará, mas obviamente o efeito será sentido no decurso do tempo, pois investigações criminais ficarão estacionadas.

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A coluna conversou com um coronel reformado da PM paulista, que preferiu não se identificar. Ele lembrou que, em outubro de 2019, numa grande cidade, em um único dia de paralisação da policia uniformizada, vandalizaram-se mais de 100 estabelecimentos, a prefeitura usou mais de 40 caminhões só para carregar os cacos de vidro. Causaram-se 20 incêndios criminosos, assaltaram-se seis bancos e mataram-se policiais. Foi em Montreal, no Canadá.

No começo do mesmo ano, no Espírito Santo, a PM entrou em greve numa sexta-feira. No fim de semana a média de homicídios no estado era de 8 a 10 – com a greve, aconteceram quase 50. O vandalismo se alastrou, os tribunais fecharam, as escolas fecharam, o transporte público foi comprometido severamente.

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Portanto, segurança pública não existe sem Polícia Militar, e não existirá até que se crie uma corporação melhor para tal função, isso a despeito do tratamento desigual que ela destina a ricos e pobres, brancos e negros.

O que vai acontecer com a PM paulista agora? Vai realizar investigações criminais por vontade do governador? O governador patrocinará treinamento adequado para qualificar a tropa (Tarcísio promete “treinamento rápido”)? Por que não aprimorar a própria Polícia Civil na função para a qual ela já é afeita e aumentar seus quadros?

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Imagina-se que, incumbida de ações de inteligência, a PM será inferior à Polícia Civil na tarefa, pois a Civil é treinada para tanto. Trata-se de uma invasão de atribuições promovida pelo governador e que pode gerar sérios problemas internos - é conhecida a rixa entre as duas categorias policiais.

O esclarecimento de homicídios no Japão, citou o coronel, chega a mais de 80% dos casos; nos Estados Unidos, está perto de 70%; no Reino Unido, mais de 70%. Estima-se que menos de 50% dos homicídios sejam esclarecidos no Brasil, de forma que se tem uma falência da investigação policial no país para casos de homicídio.

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No caso paulista, designar a PM como órgão investigador, sem qualquer expertise na função, vai ajudar a aumentar esse percentual?

A existência de duas polícias, como acontece no Brasil, é responsável por essa estrutura caótica, constituindo um incidente histórico que vem desde o começo do Século XX. O que funcionaria na sociedade, afirma o coronel reformado que atendeu a coluna, seria uma polícia única, bem treinada, equipada e remunerada, até porque o policiamento ostensivo e a investigação se interpenetram.

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