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Maria Luiza Franco Busse

Jornalista há 47 anos e Semiologa. Professora Universitária aposentada. Graduada em História, Mestre e Doutora em Semiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dissertação sobre texto jornalístico e tese sobre a China. Pós-doutora em Comunicação e Cultura, também pela UFRJ,com trabalho sobre comunicação e política na China

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Um 11 de setembro no caminho de 1973 e de 2001

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Bagdá está em chamas! Não. Dessa vez foram Washington e Nova Iorque.  

Bagdá foi em 16 de janeiro de 1991, quando os Estados Unidos bombardearam a capital do Iraque dando início à Guerra do Golfo. Por seis semanas seguidas, a cidade e o país ficaram sob ataque massivo e o enfoque das coberturas era a tecnologia bélica que os Estados Unidos estreavam na operação denominada Tempestade do deserto. A guerra era comentada a partir de mísseis e satélites ultramodernos que podiam ser apreciados em ação nas imagens dos telejornais e nos textos dos jornais. No dia 27 de fevereiro, o Iraque se rendeu. O número de civis mortos foi estimado em sete mil. Bagdá também ficou destruída. No dia 10 de setembro de 2001, a agência de notícias iraquiana INA informou que oito civis morreram e três ficaram feridos no bombardeio de aviões americanos e britânicos a fazendas no sudeste de Bagdá. No mesmo dia, o Pentágono informou que os jatos de patrulha americanos F-16 e F-18, e os GR-14 ingleses, atacaram depósitos de mísseis e que o objetivo não eram alvos civis.  

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Esse foi o fato de véspera do atentado contra os Estados Unidos, que matou milhares de civis, derrubou as torres gêmeas, um símbolo de Nova Iorque, e destruiu um dos cinco edifícios do Pentágono, em Washington. Atentados suicidas praticados com o lançamento de aviões de passageiros sobre os alvos.

No dia seguinte, 12 de setembro, a legenda da foto de primeira página de um grande jornal dizia: ”Cena inimaginável: os ataques contra o World Trade Center transformaram o coração de Manhattan numa montanha de destroços”. Por que inimaginável? Porque pela lógica do império a prerrogativa do ataque a território é exclusividade sua. Foi assim no 11 de setembro de 1973 no Chile. A Força Aérea do Exército, com o apoio logístico e financeiro dos Estados Unidos, bombardeou o Palácio de La Moneda, sede do governo então presidido pelo socialista eleito Salvador Allende. O império não queria saber de socialismo na América Latina. Por terra, soldados obedientes às ordens golpistas invadiram o prédio. Allende não se deixou aprisionar. Decidiu tirar a própria vida. O La Moneda ficou destruído e a cidade de Santiago foi sitiada. Era o início do terrorismo de Estado da ditadura militar, assassina e torturadora, que durou 17 anos.

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Como esperado, a mídia corporativa burguesa comemorou. Ao contrário do lamento que se sucedeu ao ocorrido no 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington. Não se tratava do espanto compreensível pelo raro acontecimento, mas de consternação. “Quem poderia imaginar ver um dia essas imagens”, observou consternada a âncora de um telejornal no instante em que eram transmitidas, ao vivo, as imagens das torres ruindo. “Deu saudade do transito caótico, das massas apressadas”, dizia o texto de outro grande jornal para traduzir o deserto em que se encontravam as ruas de Nova Iorque dois dias depois do atentado. Discurso nostálgico de um mundo que se supunha e se mostrava inocente e organizado, e que se dava, e ainda dá,  o lugar de bússola da narrativa em que “os dominados só o são por uma carência de linguagem própria que os obriga a engolir e a adotar, sem saber, a ideologia dominante”.

São 20 anos do September, Eleven em território estadunidense e 48 anos do Once de Septiembre em território chinelo. Enquanto o primeiro virou marca, o segundo segue sendo invisibilizado, tratado como um dia que assim é que teria que ter sido. Nos tempos que correm, mais do que nunca precisamos visitar os nossos museus.

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