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Mario Vitor Santos

Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasilia da Folha.

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Vexame militar vindo de Gaza desmonta a couraça de superioridade bélica exibida por Israel

Certas derrotas são irrecuperáveis de tão humilhantes, quando ocorridas em condições de disparidade de forças assim gritante

Benjamin Netanyahu e ataque israelense no enclave palestino de Gaza (Foto: REUTERS)
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Em meio ao horror, o ataque do Hamas poderá ter como desfecho o esmagamento daquela organização pelas forças israelenses, ao cabo de uma guerra prolongada, que agora atinge um outro nível.

Observa-se a marcha de uma vingança tão mais irracional quanto maior a vergonha que ela tenta desfazer.  Os ataques não são contra o  Hamas, pois Israel não tem a menor ideia de onde a organização está.

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Passada a resposta ritual  o massacre dos palestinos, restará a ruminação das causas do desastre histórico das forças de defesa israelenses.

Submetidas a teste real, as barreiras físicas que deveriam impedir o avanço do Hamas foram desfeitas como manteiga. Câmeras que filmavam a infiltração do inimigo  transmitiram imagens que não encontraram quem as assistisse nas centrais de controle.

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Não estavam ali os especialistas, os oficiais, os generais para detectar a emergência, acionar alarmes, comandar uma resposta organizada e minimizar as perdas.

O "melhor exército do mundo" não estava junto das barreiras atacadas e nem sequer foi acionado. O "melhor serviço de espionagem e informações do mundo" foi tomado pela ignorância. O governo de extrema-direita e "mão dura contra o terror" mostrou-se frágil e desorientado.

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Israel ignorou alertas repetidos, vindos do serviço de inteligência egípcio,  de que "algo grande" aconteceria.

Desinformada, vulnerável, desatenta, lenta, descoordenada a defesa israelense deixou, sem reagir, seus civis por uma eternidade à mercê do inimigo. Este preparou o ataque, ao longo de dois anos pelo menos, sem ser detectado.

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Teve tempo e condições para conhecer em detalhes os pontos fracos nas linhas israelenses. Pôde planejar com precisão, usando múltiplos meios, com ataques pontuais nos locais desguarnecidos. 

Não foi um cochilo de um plantão de sábado, mas uma debacle sistêmica.

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Um grande fator de efetividade dissuasória das forças de defesa, das israelenses em especial,  vem da imagem de sólida superioridade que consegueiam transmitir tanto aos inimigos como à sua população civil. Os participantes da rave atacada no kibbutz tinham certeza de estar seguros a menos de um quilômetro da fronteira. Em caso de necessidade,  o Exército faria jus à fama que alardeava.

Essa blindagem psicológica, derreteu no sábado passado. 

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Se o fracasso frente a um inimigo muito mais fraco está circunscrito a uma sequência pontual e limitada de eventos ou denota debilidades estruturais constitui algo a ser estabelecido.

Israel já era vulnerável,  apesar do que alardeava. Isso agora é evidente. Encarar o vexame pode ser obstáculo intransponível para quem sempre se valeu da autoestima dos invencíveis. Se o que se mostra agora é o sinal de uma decadência maior da defesa do país ou apenas um tropeço momentâneo ver-se-á quando e se Israel esgotar sua cólera contra Gaza obliterada. Certas derrotas são irrecuperáveis de tão humilhantes, quando ocorridas em condições de disparidade de forças assim gritante.

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