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Lelê Teles

Jornalista, publicitário e roteirista

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Zé Lensky, o herói dos vilões

Zé Lensky, o Moisés de Arias, vê a terra que lhe fora prometida se desmanchar debaixo dos seus pés, e ele mesmo reconhece que não a terá

Volodymyr Zelensky (Foto: Reprodução/Min. Def. Ucrânia)
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“o mito é o nada que é tudo”, Fernando Pessoas. 

A máquina de propaganda ocidental, toda ela sobre o domínio de grandes magnatas machos e brancos, segue a todo vapor destruindo reputações, monstrificando mocinhos e heroificando vilões.  

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O que temos pra hoje é um Zé Ruela, um Zé Mané, um Zé das Couves, um Zé Ninguém, transformado em grande líder mundial, o tal Zé Lensky que, em um artigo delirante, foi comparado por Juan Arias com ninguém menos que Moisés e o rei Davi.

Veja você.

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O Cacique Papaku, ao ler o bisonho artigo, lembrou que a comparação é infeliz em todos os aspectos: Moisés, disse-me o selvagem, morreu sem entrar na terra que prometera ao seu povo e o pequeno Davi matou Golias com uma única pedrada, o que deixa claro que Zé Lensky seria no máximo um Davizote ruim de mira e que, no final das contas, Golias ainda vai esmagá-lo e sair ileso e vivo.

O artigo idiota de Arias serve apenas para antecipar, tarantinicamente, o segundo ponto de virada da nossa jornada, na qual o heroi, feito de saliva, vai se converter em um mito com verniz bíblico.

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A narrativa, como sabemos, é de história em quadrinhos: temos um vilão, malvadão e poderoso, e um herói movido pelo amor ao seu povo, que extrai suas forças das suas próprias virtudes.

Os sujeitos são homônimos: de um lado, Vladimir, aquele que o mundo deve odiar; do outro, Volodymyr, que  deverá ser amado.

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“O presidente da Ucrânia talvez seja hoje o político mais amado e admirado pela coragem que está demonstrando para salvar seu povo da escravidão à qual Putin está tentando condená-lo,” disse Juan Arias em sua propaganda disfarçada de jornalismo.

Arias teve a audácia de construir um Putin, sem nenhuma evidência factual, em um malvado escravagista, e ainda disse que Zé Lensky está a defender o seu povo.

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Veja que fuleiragem.

O que temos visto é o povo ucraniano fugindo desesperadamente ou se escondendo em abrigos, enquanto ucranazis e mercenários estrangeiros, a maioria anglosaxãos, usam o povo como escudo.

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E outra, foi a Inglaterra que construiu um império baseado na escravidão, não os russos!

No livro “A manipulação do Público”, o linguista e filósofo Noam Chomsky mostra como o jornalismo é um modelo de propaganda que usa “filtros” (conceito de Lippmann) como ferramentas de controle de corações e mentes.

É dessa forma, mitificadora, que a opinião publicada vai contaminando a opinião pública e se confundindo com esta.

O sujeito fica a ouvir diversas vozes e acredita estar a ouvir vozes diversas, sem se dar conta de que todas estão a dizer a mesma coisa. 

Essa é a armadilha denunciada por Walter Lippmann em “Opinião Pública”, um livro seminal escrito em 1922.

O que Arias faz com sua afirmação categórica sobre o amor que o mundo devota a Zé Lensky é tentar eliminar o dialogismo mostrando vozes uníssonas.

Quando os parlamentos europeus, pertencentes ao Império OTANano, chamam o anão ucraniano para um pronunciamento via satélite, que ele faz de um estúdio montado dentro de um bunker, o fazem apenas para aplaudi-lo, seja o que diabo ele diga, assim temos a impressão de que o mundo que está aplaudindo o sujeito, mas se olharmos bem veremos apenas o farfalhar de algumas mãos brancas sujas de sangue.  

O que o jornalismo ocidental faz é, numa trucagem propagandista, limpar o sangue das mãos dos que aplaudem Zé Lensky e dizer que não somos nós que estamos com eles, mas eles, os que perpetraram as guerras mais brutais do nosso século, é que estão a pensar como nós, numa descarada inversão conceitual.

“... o político mais amado e admirado...”

O cientista social John B. Thompson, na obra “A mídia e a sociedade moderna”, mostra como essa instituição especializada na disseminação de informação - os meios de comunicação de massa -, nada a mais é que a quarta cabeça do monstro liberal, cujo poder se estrutura como poder político, poder econômico, poder coercitivo e poder simbólico.

Voltemos a Zé Lensky, o personagem marvelificado.

A jornada desse heroi foi construída toda pela mídia, Zé Lensky, é bom não se esquecer, é um produto midiático, fabricado por um magnata, o corrupto Kolomoyskyi, como personagem de um siticom distópico, para ser o que está sendo: um provocador irresponsável, um nacionalista inconsequente e um ególatra deslumbrado com os holofotes.

O público aprende a amá-lo por meio de mecanismos psicológicos que nos fazem relevar seus defeitos e focar nas suas “qualidades”.

Não é à toa que o artigo de Arias não cita uma única vez os nazi-banderistas que estão a apoiá-lo; pelo contrário, ele salienta suas origens judáicas, “o jovem judeu...”, dessa forma ele oblitera qualquer juízo neonazi que se faça do sujeito.

Veja a distopia: como ele pode apoiar nazistas se ele é judeu?

Dizem que Zé Lensky era um sujeito simples, um simplório ex-estudante de direito que se tornou comediante de tevê e que, como num epifania, percebeu que o seu país estava tomado por vilões corruptos e magnatas inescrupulosos.

O povo, então, o convocou a libertar a nação. No primeiro ponto de virada, o jovem Zelensky aceita o desafio e é eleito com mais de 70% dos votos. 

A partir daí nosso herói entra numa zona de não retorno. 

Transposto o umbral e imerso na jornada heroica, Zé Lensky tem como missão derrotar o mal e retornar com o elixir libertador.

Ele ouve o velho sábio, o velhaco dormioco Joe Biden, que lhe promete um lugar no paraíso (a OTAN e a UE), então, ele faz aliados poderosos e sai por aí chutando bundas e botando pra quebrar. 

Uma narrativa manjada por qualquer story teller.

Só que não.

Zé Lensky,  O Servo do Povo, cresceu quando a União Soviética estava desmoronando; ele é filho de um professor (universitário) de ciência da computação e de uma engenheira. 

Diferentemente da maioria dos jovens de sua Kriviri natal, o mancebo já usava ternos elegantes,  tocava guitarra e gostava de pop rock inglês.

O fanfarrão floresceu em uma época em que oligarcas costumavam recrutar comediantes para entrarem na política, o nosso Tiririca serviu como uma luva.

Tornado arroz de festa, Zé Lensky chegou mesmo a se apresentar numa festa de aniversário do presidente Viktor Yanukovych, que foi deposto durante a revolução colorida do Euromaidan, em 2014.

Nessa época, o sujeito já havia se tornado um produtor de sucesso, dono de uma fortuna em dólares, de um confortável escritório em Kiev e de uma mansarda com piscina, de seis quartos e quinze salas na paradisíaca Toscana que ele, claro, sonegou às autoridades locais quando foi candidato.

Aliás, Zé Lensky foi candidato fazendo campanha na tevê por meio de um programa cheio de graça  e que durou três temporadas (2015 a 2019), foi a campanha midiática mais longa da história.

E as pessoas acham que ele saiu do nada.

No poder, Zé Lensky se mostrou autoritário, dissolveu parlamento, acabou com partidos, loteou seu governo com seus parçças das antigas, legitimou um batalhão neonazi, incorporando-o à Guarda Nacional e não fez caralha de porra nenhuma pela economia, educação ou o que quer que seja em seu país.

Agora, o palhaço engomado aparece em mangas de camisa, sua família está protegida nas estranjas, tomando chá e vivendo a vida confortavelmente, enquanto seus patrícios se humilham para serem aceitos como refugiados em países como a Polônia que não têm a menor condição econômica de abrigá-los.

Moisés, lembra-me Papaku, morreu no monte Nebo, de onde avistava, ao longe, a terra que lhe fora prometida.

Zé Lensky, o Moisés de Arias, vê a terra que lhe fora prometida, OTAN e UE, se desmanchar debaixo dos seus pés, e ele mesmo reconhece que não a terá, por mais que se esforce.

Morrerá no Azovstão, olhando a UE de longe.

Como se vê, trata-se de um herói de araque.

Palavra da salvação.

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