Feder, que quase foi ministro da Educação, dedicou seu livro ao dinheiro

Em seu único livro publicado, no qual defende a privatização total do ensino no Brasil, Renato Feder diz: “Este livro é dedicado ao dinheiro, não pelos bens materiais que se pode comprar com ele mas, sim, enquanto embaixador da produção, do valor e da troca justa”

Renato Feder
Renato Feder (Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr)
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247 - Indicado para assumir o ministério da Educação, Renato Feder fez uma dedicatória no mínimo inusitada em seu único livro publicado, “Carregando o elefante”, da editora Hemus.

“Feder não dedicou seu livro aos pais, a companheira/companheiro, aos filhos, aos amigos, ao orientador, a Capes, aos colegas de trabalho ou mesmo a Deus - quase um orientador paralelo de dissertações e doutorados aqui nos tristes trópicos. Feder dedicou seu livro ao dinheiro, senhoras e senhores”, anunciou em seu Facebook a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Patrícia Valim.

“Este livro é dedicado ao dinheiro, não pelos bens materiais que se pode comprar com ele mas, sim, enquanto EMBAIXADOR DA PRODUÇÃO, DO VALOR E DA TROCA JUSTA. O sistema baseado no dinheiro certamente tem problemas. Não são poucos. Mas ele é o melhor já concebido pelo homem e foi o que mais contribuiu para nos tirar do mundo dominado pela fome, guerra e doença. Ao dinheiro, símbolo da criatividade humana e da vontade de homens e mulheres de melhorar de vida”, diz o texto da dedicatória, na página 10.

Neste mesmo livro, Feder sugere a privatização do ensino, num sistema em que o governo pagaria vouchers aos pais de alunos para que eles banquem o estudo dos filhos em escolas particulares. “O voucher educacional é um sistema bastante simples de entender: o Estado paga, os pais escolhem, as escolas competem, o nível de ensino sobe e todos saem ganhando”, explica Feder.

Após o anúncio do nome de Feder como possível ministro da Educação, diversas notícias sobre o atual secretário de Educação estadual do Paraná começaram a circular na imprensa. Além da defesa da privatização total do ensino, houve ainda a denúncia de que ele deixou alunos de 165 cidades sem aulas ao contratar uma empresa sem sinal de transmissão em quase metade do estado para transmitir vídeo-aulas durante a pandemia e ainda a de que ele tentou barrar uma investigação sobre sua empresa, a Multilaser.

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