Acordo comercial Mercosul-União Europeia mobiliza oposição dos defensores do meio ambiente

Diversas ONGs condenam o apaziguamento com Bolsonaro e sua política de “carta branca” com as multinacionais brasileiras para que explorem a região da Amazônia

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Leonardo Sobreira, 247 - Após 20 anos de negociação, o acordo comercial entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e a União Europeia (UE) voltou à tona novamente na última quarta-feira (16/09). Diversas ONGs nacionais e internacionais expressaram intensa preocupação com a perspectiva de impacto negativo do acordo sobre o meio ambiente, caso ele seja aprovado pelos estados membros da UE e pelo Parlamento Europeu. Segundo eles, a agropecuária concentrada na região da Amazônia se expandirá, dando às multinacionais “carta branca” para que explorem a região. 

Na França, 36 entidades e ativistas pelo clima pediram a abolição completa do acordo, alegando o risco de desmatamento e violação dos direitos humanos dos povos indígenas. Para eles, a UE possui capacidade suficiente para abastecer suas necessidades de consumo de carne bovina, também contando com normas que garantem o respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos. 

O posicionamento do Greenpeace, enquanto não totalmente contrário ao acordo, enfatiza que ao menos deve haver obrigações sobre “os importadores de matérias-primas agrícolas que são suscetíveis de criar riscos para florestas, como, por exemplo, a soja vinda do Brasil, a mostrar uma prova, uma garantia, de que o produto não é originário do desmatamento. Isso quer dizer que o importador deve ser capaz de conhecer sua cadeia de fornecimento até os campos e plantações.”

Uma comissão liderada pelo ex-primeiro ministro francês Edouard Philippe revelou suas conclusões nesta quarta-feira (17). Eles estimam um aumento de 5% ao ano no ritmo do desmatamento durante os primeiros seis anos de implementação do acordo. Segundo eles, as previsões que o acordo faz sobre a importação de tecnologias verdes europeias no setor energético não são um fator atenuante, já que a maior parte da energia dos países em questão, com exceção da Argentina, é hidrelétrica. 

Como apontado no Le Monde, os parlamentos da Áustria e da Holanda já rejeitaram o acordo. Angela Merkel, em agosto, se mostrou preocupada com o “desmatamento contínuo e os incêndios”, enquanto Emmanuel Macron colocou a proteção à Amazônia como condição fundamental do acordo. 

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2019 e julho de 2020, houve um aumento no desmatamento de 34.5%. Segundo o primeiro texto citado, os riscos de “savanização” da Amazônia se tornam reais quando o limite de desmatamento passa dos 20%. No mês passado, Bolsonaro disse que as evidências sobre o aumento nos incêndios eram “mentirosas.” 

A pressão internacional sobre o Brasil vem aumentando cada vez mais para que este mude sua atitude negacionista. Seu lugar privilegiado na exportação de carne bovina vem cada vez mais sendo criticado e condicionado à proteção do meio ambiente. 

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