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Ideias

“Pra frente Brasil”: o que faz e refaz a impunidade reincidente

A brutalidade do massacre no Brasil desde o golpe de 64 nos leva a abstrair os gigantescos lucros obtidos por integrantes dos governos e aliados

Vista aérea da sede da fazenda Rio Cristalino, da Volkswagen. Tirada em junho de 1983. (Foto: MIlton Pomar) (Foto: Vista aérea da sede da fazenda Rio Cristalino, da Volkswagen. Tirada em junho de 1983. (Foto: MIlton Pomar))
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Por Milton Pomar (*) - O filme “Pra Frente Brasil”, lançado em 1983, no final da ditadura militar, apresenta três características marcantes dos militares no poder: a impunidade pelos crimes cometidos; a prática sistemática de tortura e assassinato de adversários políticos; e o “desaparecimento” dos corpos das pessoas assassinadas. Foi assim no Brasil, foi assim também no Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, … E apesar de “Pra Frente Brasil” referir-se a fato ocorrido em 1970, as cenas de tortura que mostra são cotidianas em 2024 em delegacias, quartéis e presídios em todo o País. 

A brutalidade do massacre no Brasil desde o golpe militar de 1964, com espancamentos em protestos, detenções ilegais, tortura, assassinatos e desaparecimentos, nos leva a abstrair os gigantescos lucros obtidos pelos integrantes dos governos, latifundiários(as) e empresários(as) de todas as áreas. Lucros com recursos naturais, lucros com recursos públicos, e lucros com a exploração extraordinária de trabalhadores e trabalhadoras. 

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O avanço de todas as grandes empresas (indústrias, bancos, comerciais) sobre o Cerrado e o Sul da Amazônia, com recursos públicos – via incentivos fiscais operados pela Superintendência da Amazônia (Sudam) e empréstimos subsidiados do Banco do Brasil – para exploração mineral, madeireira e pecuária, é hoje quase desconhecido, porque faz muito tempo (60 anos) e boa parte da documentação a respeito não existe mais.

Quem poderia imaginar, em 2024, que a Volkswagen possuiu, até meados dos anos 1980, uma área de 142 mil hectares, com quase 50 mil bois, em sua fazenda Rio Cristalino, no Mato Grosso? Ou o apresentador Sílvio Santos, com o seu grupo Tamakavy, dono de muitos bois e muitas terras no Araguaia. Mais o Bradesco, o BCN, o Banco Real, a Varig, a Liquigás (da estatal italiana ENI), com criação de gado das raças Marchigiana e Piemontês na fazenda Suiá-Missu. 

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Sobre a ocupação das regiões Centro-Oeste e Norte por grandes empreendimentos privados, inclusive estrangeiros, durante a ditadura militar, um dos livros mais fundamentados que há é “Seja feita a vossa vontade: a conquista da Amazônia – Nelson Rockfeller e o evangelismo na idade do petróleo”, escrito pelos jornalistas Gerard Colby e Charlotte Dennett.

O golpe e a ditadura militar no Brasil (1964-1985) começaram a ser gestados dez anos antes, no final do governo Getúlio, em 1954. São, pois, setenta anos de impunidade reincidente. O golpe só não aconteceu em outubro de 1955, logo após a eleição de Juscelino Kubitscheck e João Goulart, graças à atuação do ministro da Guerra (general Lott), para garantir a posse dos eleitos. 

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Quem se lembra do primeiro sequestro de avião no Brasil? – Ele foi cometido por tenentes-coronéis da Aeronáutica (que ficaram impunes) da base de Aragarças-GO, em 2 de dezembro de 1959. Ficaram impunes, em nome da pacificação nacional. Um dos envolvidos, o Tte. Cel. João Paulo Burnier, fez curso em 1963 na Escola das Américas, no Panamá, onde os Estados Unidos ensinavam tortura e assassinatos de adversários políticos. Ele se tornaria famoso em 1968, quando, já Brigadeiro, ordenou ao capitão Sérgio Miranda de Carvalho que cometesse atos terroristas que seriam atribuídos a pessoas de esquerda. Sérgio foi punido por não cumprir as ordens criminosas e Burnier seguiu impune até morrer. 

 Com a auto-anistia de 1979, os generais mantiveram a tradição brasileira da impunidade de golpistas, torturadores e assassinos de adversários políticos. Quarenta anos depois, os oficiais jovens dos anos 1970 voltaram ao poder pelo voto, graças a um conjunto de ações articuladas e mais uma vez com apoio norte-americano. 

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Precisou acontecer a pandemia para ficar escancarada a falta de humanidade e de competência para governar dos oficiais militares golpistas – da qual resultaram 1,1 milhão de mortes em excesso no período 2020/2022. Até agora, os maiores responsáveis por essas 1,1 milhão de vítimas seguem impunes.

Com as revelações da preparação do golpe em 2022, liderado pelo ex-presidente e com apoio de parte dos comandantes das Forças Armadas (e sabe-se lá de quem mais), e as ações que resultaram no vandalismo terrorista em Brasília dia 8 de janeiro de 2023, aumentaram as chances de, dessa vez, eles serem punidos legalmente pelo que fizeram e tentaram fazer. 

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Este artigo foi publicado originalmente no Sul 21

(*) Geógrafo, Mestre em Estado, Governo e Políticas Públicas

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