Falta de acesso à água potencializa o coronavírus entre as populações mais vulneráveis

Lavar as mãos é uma das precauções mais eficientes contra o coronavírus. Mas será que um hábito tão simples está ao alcance de toda a população mundial?

Falta de acesso à água potencializa o coronavírus entre as populações mais vulneráveis
Falta de acesso à água potencializa o coronavírus entre as populações mais vulneráveis (Foto: ABr)
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247 - De acordo com a UNICEF, “durante uma pandemia global, um dos meios mais baratos, fáceis, e importantes de prevenção contra o vírus é lavar as mãos frequentemente com água e sabão.” No entanto, quando se trata das camadas sociais mais vulneráveis, como os moradores de rua e a população carcerária, tais recomendações são praticamente impossíveis de serem implementadas.

No Brasil, mais de 101 mil pessoas vivem nas ruas, e mais de 726,000 pessoas vivem em presídios construídos para abrigar metade desse número. 

Essa preocupação foi levantada pelo portal americano Truthout, que relata que nos EUA a situação pode ser ainda mais dramática, tendo em vista que lá o número de moradores de rua gira em torno de 550,000. 

O mesmo portal ilustra a vulnerabilidade enfrentada por moradores de rua, que, de acordo com Thomas Fuller, do New York Times, “são mais suscetíveis a contrair o vírus tendo em vista a superlotação de alojamentos, o compartilhamento de utensílios e a falta de estações de higiene nas ruas.”

Em relação às prisões, somente no estado do Rio de Janeiro 266 detentos morreram em 2017 por conta de doenças tratáveis, como diabetes, hipertensão e pneumonia, de acordo com a Human Rights Watch, ONG internacional de defesa aos direitos humanos. Além do fato de detentos não serem oferecidos o tratamento devido para tais doenças, as condições sanitárias nos presídios brasileiros violam acordos internacionais em diversas áreas. De acordo com a HRW, são comuns os relatos de instituições que só liberam água corrente duas vezes ao dia.

O próprio ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, admitiu recentemente que “existe uma série de cuidados a serem tomados até porque parte da população prisional, por estar em presídios com condições higiênicas não tão ideais, acaba sendo um grupo vulnerável à contaminação e a esse tipo de problema.” Assim, uma reunião de emergência foi convocada pelo ministro na última quarta-feira, porém seus desdobramentos ainda não foram revelados ao público.

Também é de se esperar que ONGs que se dedicam à promoção dos direitos humanos de presidiários, como o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, se pronunciem sobre tais riscos.  

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