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Árbitro da Copa fez o mesmo gesto supremacista que levou ex-assessor de Bolsonaro a ser condenado

Sinal exibido por supervisor do VAR durante transmissão da Copa do Mundo é o mesmo que motivou denúncia do MPF contra Filipe Martins em 2021

Árbitro da Copa fez o mesmo gesto supremacista que levou ex-assessor de Bolsonaro a ser condenado (Foto: Reprodução )
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247 - O árbitro australiano Shaun Evans, supervisor do VAR na Copa do Mundo de 2026, está no centro de uma controvérsia após ser flagrado fazendo um gesto que já provocou repercussão política e judicial no Brasil. O sinal exibido durante uma transmissão do torneio é o mesmo que levou o ex-assessor internacional do governo Jair Bolsonaro, Filipe Martins, a ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2021.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que destacou a semelhança entre os dois episódios. Segundo o site The Athletic, a Fifa acompanha a repercussão do caso envolvendo Evans, mas ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

O gesto foi registrado durante a goleada da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao, no último domingo. No momento em que a transmissão mostrou a sala do VAR, Evans apareceu fazendo o sinal formado pela união do polegar e do indicador, enquanto os outros dedos permanecem estendidos.

Gesto já foi alvo de denúncia no Brasil

A imagem rapidamente chamou atenção porque o mesmo gesto esteve no centro da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra Filipe Martins. O ex-assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República foi acusado após realizar o sinal durante uma sessão do Senado, em março de 2021.

Em dezembro de 2024, a Justiça Federal do Distrito Federal condenou Filipe Martins por incitação ao preconceito racial. A pena de 2 anos e 4 meses de reclusão foi substituída por medidas restritivas de direitos, além de multa e indenização por danos morais coletivos.

Fifa acompanha repercussão

Embora tradicionalmente seja conhecido como um sinal de “OK”, o gesto passou a ser associado em determinados contextos a movimentos supremacistas brancos e grupos de extrema direita. Essa interpretação ganhou projeção internacional nos últimos anos e passou a ser monitorada por entidades de combate à discriminação.

De acordo com o The Athletic, a Fifa tem conhecimento das críticas envolvendo Evans e acompanha a repercussão do episódio. O veículo informou ainda que procurou o árbitro australiano por intermédio da entidade, mas não obteve resposta.

Até o momento, a organização que comanda o futebol mundial não anunciou a abertura de uma investigação formal nem informou se pretende adotar alguma medida em relação ao caso.

Entidades antirracismo veem símbolo de “poder branco”

A Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa), organização internacional dedicada ao combate à discriminação no esporte, avaliou o gesto exibido por Evans e afirmou que ele “se assemelha claramente a um símbolo de ‘OK’ invertido”.

Segundo a entidade, especialistas consultados pela organização identificam o sinal como uma representação de “poder branco” utilizada em círculos ligados à extrema direita.

A associação do gesto a grupos supremacistas ganhou notoriedade mundial após casos de grande repercussão, como o do australiano Brenton Tarrant, autor do atentado contra duas mesquitas na Nova Zelândia em 2019, que deixou 50 mortos. Durante uma audiência judicial, ele também foi fotografado fazendo o mesmo sinal.

Histórico de controvérsias

No Brasil, o episódio envolvendo Filipe Martins teve forte repercussão política. Integrante da chamada ala ideológica do governo Bolsonaro, o ex-assessor era ligado ao escritor Olavo de Carvalho e mantinha proximidade com os filhos do então presidente.

Mesmo após a denúncia do MPF, Martins permaneceu no cargo. Na época, ele também defendia um alinhamento político e ideológico entre Brasil e Estados Unidos.

Em 2019, o ex-assessor publicou uma foto ao lado de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, afirmando que “uma aliança estratégica entre Brasil e EUA em torno de uma visão de mundo e de uma filosofia comuns será decisiva na defesa do Ocidente”. Na mesma publicação, utilizou a expressão “Deus Vult!”, frase em latim que significa “Deus quer” e que tem sido associada por especialistas a setores da extrema direita contemporânea.