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Agronegócio garante segundo maior superávit da história em 2025

Setor fechou o ano com US$ 127,84 bilhões e respondeu por quase metade das exportações do país

Exportação de soja (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

247 - O agronegócio brasileiro voltou a desempenhar papel central no comércio exterior em 2025 e encerrou o ano com um saldo positivo de US$ 127,84 bilhões na balança comercial. O resultado, segundo levantamento da consultoria Datagro, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), representa um crescimento de 3,6% em relação a 2024 e corresponde à segunda melhor marca da série histórica, confirmando a força do setor mesmo em um cenário internacional adverso.

De acordo com a coluna da jornalista Míriam Leitão, o estudo aponta que, sem o desempenho do agronegócio, o Brasil teria registrado um déficit de US$ 59,5 bilhões em sua balança comercial. Graças ao setor, o país fechou 2025 com superávit total de US$ 68,3 bilhões.

Agronegócio evita déficit na balança comercial brasileira

Mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos agrícolas brasileiros, o agronegócio alcançou um novo recorde de exportações. As vendas externas somaram US$ 170,04 bilhões em 2025, alta de 2,5% em relação ao ano anterior, o equivalente a 48,5% de tudo o que o Brasil exportou no período.

China amplia participação nas exportações do setor

A China manteve-se como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. As vendas ao país asiático atingiram US$ 55,3 bilhões, crescimento de 11,3% na comparação com 2024. Com isso, a participação chinesa no total exportado pelo setor subiu de 30,2% para 32,5%.

O principal produto embarcado foi o complexo da soja, com exportações de US$ 34,6 bilhões, alta de 9,8%. A China respondeu por 65,4% de todo o volume exportado desse complexo ao longo do ano.

A União Europeia ocupou a segunda posição entre os principais mercados, com compras de US$ 25,21 bilhões, avanço de 8,6% em 2025. Café verde, celulose, carne bovina in natura e suco de laranja lideraram os embarques ao bloco.

Tarifas dos EUA afetam exportações ao mercado estadunidense

Em sentido oposto, as exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos recuaram 5,6%, somando US$ 11,40 bilhões. O desempenho reflete o impacto direto das tarifas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre os produtos agrícolas brasileiros.

Café e carnes lideram crescimento das vendas externas

Segundo a Datagro, o crescimento das exportações em 2025 foi impulsionado principalmente pelo aumento dos volumes embarcados. O café destacou-se como o principal produto do ano, com receita de US$ 16,08 bilhões, crescimento de 30,3%, sustentado pela forte alta dos preços internacionais.

Os preços do café atingiram níveis recordes em função de problemas climáticos em grandes países produtores, como geadas e seca no Brasil, além da queda da produção no Vietnã e na Indonésia, o que reduziu a oferta global.

As exportações de carnes também apresentaram avanço expressivo. A receita do setor cresceu 21,5% e alcançou o recorde de US$ 31,81 bilhões, impulsionada pela forte demanda internacional, especialmente da China, e pela ampliação da capacidade produtiva brasileira. No segmento de carne bovina, os embarques aumentaram 40,1%, totalizando US$ 18,03 bilhões.

Setor sucroenergético registra queda acentuada

Em contraste, o setor sucroenergético apresentou retração significativa em 2025. A receita com exportações de açúcar, etanol e bioeletricidade caiu 23,5%, para US$ 15,06 bilhões, impactada pela redução dos volumes embarcados e pela pressão dos preços internacionais.

As exportações de açúcar recuaram cerca de 19% em volume em relação a 2024, em um cenário de preços globais deprimidos. Já as vendas externas de etanol atingiram o menor nível desde 2017, com queda aproximada de 14,6%, refletindo menor produção, desafios de mercado e estoques internos mais apertados.

Importações crescem, mas peso relativo diminui

Os gastos do agronegócio com importações somaram US$ 42,20 bilhões em 2025, alta de 1,2%, puxada principalmente pelo aumento das compras de cloreto de potássio e fertilizantes nitrogenados. Ainda assim, a participação das importações do setor no total das compras externas brasileiras caiu para 15,1%, ante 15,9% em 2024, o menor patamar dos últimos sete anos.

A Datagro estima que o saldo da balança do agronegócio poderia ter sido 10,7% maior, alcançando US$ 141,47 bilhões, caso a importação de gasolina tivesse seguido o padrão dos anos anteriores. Com o aumento do consumo interno de etanol, a relevância da gasolina vem diminuindo gradualmente, contribuindo para o desempenho positivo do setor em 2025.

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