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Bruno Rodríguez diz que EUA ampliam pressão econômica sobre Cuba

Chanceler cubano denuncia restrições a combustíveis enquanto Trump afirma que ilha é “a próxima”, elevando pressão e risco de confronto

Bruno Rodríguez diz que EUA ampliam pressão econômica sobre Cuba (Foto: Minrex-Cuba)

247 - O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou os Estados Unidos de intensificar o bloqueio econômico contra a ilha, com foco recente na restrição ao fornecimento de combustíveis. As declarações foram publicadas em sua conta oficial nas redes sociais, em meio a uma escalada de tensão após novas ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump.

Segundo Rodríguez, “nos últimos anos, os EUA dificultaram o fornecimento de combustível para Cuba e agora aplicam um bloqueio severo a eles”. O chanceler afirmou ainda que a política de Washington faz parte de uma estratégia histórica de pressão econômica sobre o país caribenho.

A guerra econômica dos EUA contra Cuba, há mais de 67 anos, cumpriu seu propósito de limitar o desempenho do país, afetando a economia, dificultando o desenvolvimento produtivo, cortando fontes de renda e negando o acesso a mercados e tecnologia”, declarou o ministro. Ele também criticou o que classificou como uma ofensiva desproporcional contra o governo cubano: “Não há necessidade de uma agressão assimétrica, abusiva e implacável como esta contra um governo considerado incompetente”.

Na avaliação do chanceler, a postura norte-americana reflete o reconhecimento da resiliência do sistema político cubano. “Os EUA recorrem a esse ataque brutal porque têm consciência da força do governo atacado, da viabilidade de seu sistema socialista e, sobretudo, de seu comprovado compromisso com a justiça social e a solidariedade”, afirmou.

As declarações ocorrem após uma fala recente de Donald Trump, que elevou o tom contra Havana. Durante um discurso em um fórum de investimentos em Miami, o republicano afirmou que “Cuba é a próxima”, ao ser questionado sobre possíveis impactos políticos de ações militares dos Estados Unidos. A ameaça veio menos de duas semanas depois de o presidente dizer que teria “a honra de tomar Cuba”.

Eu construí este grande Exército. Eu disse: ‘Vocês nunca terão que usá-lo’, mas às vezes você tem que usar”, declarou Trump na ocasião. Em seguida, acrescentou: “E Cuba é a próxima, a propósito. Mas finjam que eu não disse isso”.

O endurecimento do discurso ocorre em um momento crítico para a economia cubana. O país enfrenta uma grave crise energética, agravada pelo bloqueio às importações de petróleo desde janeiro. Dependente do combustível para geração de energia e transporte, Cuba tem registrado apagões frequentes e dificuldades no abastecimento.

Historicamente, a ilha conta com o apoio energético da Venezuela, mas essa relação foi afetada após mudanças políticas em Caracas sob pressão de Washington. O cenário contribui para o agravamento das condições econômicas internas e aumenta a vulnerabilidade do país diante de sanções externas.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu recentemente que há negociações em curso com os Estados Unidos para evitar uma escalada militar. Ainda assim, advertiu que qualquer ação externa será respondida com “resistência inquebrantável”.

O embargo econômico imposto pelos EUA a Cuba remonta aos anos seguintes à Revolução de 1959, liderada por Fidel Castro. Embora tenha havido momentos de distensão nas últimas décadas, as relações voltaram a se deteriorar com o retorno de Trump à Casa Branca, acompanhado de uma política mais agressiva em relação à América Latina.

Nos bastidores diplomáticos, autoridades cubanas afirmam estar dispostas a manter o diálogo com Washington, mas rejeitam qualquer possibilidade de mudança em seu sistema político como condição para avanços nas relações bilaterais.