Congressistas dos EUA criticam bloqueio a Cuba
Parlamentares americanos afirmam que bloqueio agrava crise humanitária e defendem negociações imediatas entre os dois países
247 - O Congresso dos Estados Unidos voltou a ser palco de críticas ao bloqueio a Cuba após uma delegação de parlamentares visitar a ilha e relatar impactos diretos da escassez de combustível sobre a população. Ao término de uma agenda de cinco dias, os congressistas destacaram que as restrições econômicas vêm agravando dificuldades estruturais e afetando serviços essenciais no país caribenho.
As informações foram divulgadas pela agência Prensa Latina, com base em uma declaração oficial publicada pela congressista Pramila Jayapal. No documento, Jayapal e Jonathan Jackson, deputados pelos estados de Washington e Illinois, respectivamente, afirmaram: “O bloqueio ilegal de combustível imposto pelos Estados Unidos a Cuba agrava o bloqueio mais longo da história mundial e está causando sofrimento incalculável ao povo cubano”.
Os parlamentares ressaltaram que os Estados Unidos impediram a entrada de “uma única gota de petróleo em Cuba por mais de três meses”, classificando a medida como “uma cruel punição coletiva que, na prática, equivale a um bombardeio econômico contra a infraestrutura do país, e causou danos permanentes”. Diante desse cenário, exigiram: “Esta situação tem de parar imediatamente”.
Durante a visita, os congressistas afirmaram ter constatado os efeitos da crise energética em setores fundamentais. Segundo relataram, a falta de combustível compromete o funcionamento de serviços como saúde pública, abastecimento de água e sistema educacional. “Inúmeros estabelecimentos comerciais fecharam as portas. As famílias não conseguem manter seus alimentos refrigerados”, destacaram.
A delegação também afirmou ter ouvido diferentes segmentos da sociedade cubana. “Ouvimos uma grande diversidade de vozes: famílias, líderes religiosos, empresários, organizações da sociedade civil e representantes do governo cubano”, disseram. Além disso, relataram encontros com “embaixadores de países da América Latina e da África, organizações de ajuda humanitária e cidadãos cubanos de todo o espectro político”.
Segundo Jayapal e Jackson, há um entendimento comum entre esses grupos. “Há consenso em todos os setores: este bloqueio ilegal deve terminar imediatamente. Não acreditamos que a maioria dos americanos queira que esse tipo de crueldade e desumanidade continue sendo perpetrado em seu nome”, afirmaram.
Os parlamentares também defenderam mudanças na política externa dos Estados Unidos em relação à ilha. Para eles, os entraves ao desenvolvimento cubano estão ligados a uma estratégia considerada ultrapassada. Segundo a declaração, os obstáculos “agora dependem de os Estados Unidos modificarem sua política ultrapassada — típica da era da Guerra Fria —, baseada na imposição de medidas econômicas coercitivas e pressão militar”.
Ao final, defenderam uma reaproximação entre os dois países. “Se engajarem imediatamente em negociações genuínas que garantam a dignidade e a liberdade do povo cubano, bem como os enormes benefícios para o povo americano que resultarão de uma colaboração real entre nossos dois países”, afirmaram.
Pramila Jayapal é a primeira mulher indiana-americana eleita para a Câmara dos Representantes, onde atuou como líder do Congressional Progressive Caucus entre 2021 e 2025. Já Jonathan Jackson, eleito em 2023, é filho do reverendo Jesse Jackson e teve atuação destacada na Rainbow/PUSH Coalition, organização voltada à justiça social e aos direitos civis.