Cuba denuncia na ONU politização seletiva dos direitos humanos
Embaixador cubano condena abordagem parcial e ideológica em relação aos direitos humanos
Prensa Latina - O representante cubano na ONU-Genebra, Juan Antonio Quintanilla, expressou nesta terça-feira (26), sua preocupação com o tratamento seletivo da questão dos direitos humanos, percebido como um instrumento de ataque aos países do Sul que defendem sua soberania. Durante sua participação na continuação das sessões do 54º período ordinário do Conselho de Direitos Humanos, o diplomata rejeitou a aprovação de procedimentos especiais e mecanismos investigativos contra nações sem o consentimento destas, alertando que tal abordagem se tornou lamentavelmente uma prática cotidiana do Conselho. "Basta dar uma breve olhada no programa referente a este tema na agenda do Conselho para constatar que parece que apenas no Sul Global existem situações de direitos humanos que merecem a atenção do Conselho. Isso é uma construção ideológica com fins de dominação econômica e geopolítica", enfatizou.
De acordo com Quintanilla, parece que o órgão composto por 47 Estados membros não se incomoda com os tratamentos desumanos dados a dezenas de milhares de migrantes em países desenvolvidos. Muito menos questiona a brutalidade policial contra afrodescendentes e as mortes de inocentes nas mãos do lucrativo negócio de armas, para citar apenas alguns exemplos, afirmou na sede da ONU nesta cidade suíça. O embaixador cubano exigiu o fim da abordagem seletiva em relação aos direitos humanos e instou a evitar confrontos. O que deveria ser um fórum para troca respeitosa de experiências e promoção da cooperação internacional tornou-se, pelo contrário, um espaço de confronto e abordagens punitivas, apontou. Quintanilla reiterou a posição de Cuba condenando a politização e seletividade no tratamento dos direitos humanos como uma arma vergonhosa para tentar subverter a ordem constitucional de Estados soberanos, principalmente de nações em desenvolvimento. Apesar desse cenário desanimador, Cuba continuará insistindo na urgente necessidade de resgatar os objetivos centrais de diálogo e cooperação pelos quais este Conselho deve ser guiado, afirmou o diplomata.
