Delegação brasileira participa de encontro feminino em solidariedade a Maduro e Cília Flores na Venezuela
Evento em Caracas reúne representantes de 22 países e reforça articulação feminista contra ações dos EUA na região
247 - Representantes de coletivos e partidos políticos da América Latina e da Europa participaram, entre os dias 6 e 8 de março, em Caracas, do 1º Encontro das Brigadas Internacionais das Mulheres “Cilia Flores pela Paz”. A iniciativa, promovida pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), marcou as celebrações do Dia Internacional das Mulheres e reuniu mais de duzentas delegadas em torno de debates sobre soberania, feminismo e integração regional, informa o jornal Hora do Povo.
O encontro teve como eixo central a denúncia de ações intervencionistas dos Estados Unidos na Venezuela, além da defesa da autodeterminação dos povos e da soberania nacional. As participantes também manifestaram apoio à libertação da primeira-dama Cilia Flores e do presidente Nicolás Maduro e seu retorno à pátria.
A deputada venezuelana Diva Guzman Leon, integrante da Assembleia Nacional e dirigente do setor de mulheres do PSUV, destacou o caráter político e simbólico do evento. Segundo ela, “o grande encontro das Brigadas Internacionais de Mulheres Cilia Flores pela Paz se consolida como um espaço onde a sororidade transpassa as fronteiras para se converter em um ato de resistência ao imperialismo. As delegadas internacionais reafirmam que não há feminismo real sem soberania e, unidas em uma só voz, exigem o regresso imediato e seguro da primeira-dama Cilia Flores e do presidente Nicolás Maduro ao solo venezuelano”.
Guzman Leon também ressaltou a construção de articulações internacionais durante o encontro. “Tecemos redes de solidariedade concreta para defender a paz e a autodeterminação dos povos de nossa América”, afirmou, acrescentando que “defender a soberania nacional é, por essência, um ato feminista”.
Entre as representantes brasileiras, Conceição Cassano, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e da Federação de Mulheres Fluminenses, avaliou o encontro como um momento de mobilização global. “Foi uma vigorosa demonstração para as mulheres do mundo todo da importância de se unir e lutar, com todas as forças, contra a tentativa de calar os povos”, declarou.Cassano destacou ainda a participação de delegadas de 22 países e a solidariedade expressa durante o evento. “Mais de duzentas delegadas, de 22 países da América Latina e Europa, manifestaram solidariedade às mulheres e ao povo venezuelano diante das agressões do imperialismo norte-americano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa e deputada Cília Flores”. Ela acrescentou: “E prestamos nossa total solidariedade à heroica ilha de Cuba, exigindo o fim do embargo genocida”.
A dirigente também relatou experiências vividas durante a programação do encontro, incluindo visitas a territórios organizados por comunidades locais. Segundo ela, uma das atividades mais marcantes foi “a visita às Comunas Populares, onde as mulheres têm um papel protagonista, ouvir seus depoimentos carregados de vigor revolucionário, de sentimento de Pátria, sempre referenciadas no comandante Hugo Chaves”.
Outros momentos destacados incluem a ida à Comunidade La Soublette, no estado de La Guaira, descrita por Cassano como “uma das áreas atingidas pelos drones agressores em 3 de janeiro, onde fomos recebidas pelo governador José Alejandro Teran, que nos falou das ameaças e agressões imperialistas na Venezuela e no mundo”. Ela também mencionou a participação na Consulta Popular, definida como “uma vigorosa demonstração de democracia popular, aprovando 35 mil projetos de interesse das Comunas”.
Para Cassano, o encontro teve impacto político mais amplo. “Este 1º Encontro foi um estímulo à luta das mulheres de todo o mundo”, afirmou. Em tom de mobilização, acrescentou: “Agradecemos à Venezuela por cumprir esse papel. Não nos renderemos à barbárie! Mais uma vez tentam calar os povos e dominar as nações livres e soberanas. Mais uma vez serão derrotados! Pela liberdade de Cilia e Maduro”.
Representando a União Brasileira de Mulheres (UBM), Carla Quaresma também enfatizou a importância da articulação internacional. “Neste encontro reafirmamos que a luta é coletiva, assumindo também o compromisso proposto pela brigada de articular uma frente feminista anti-imperialista e denunciar como o império se impõe oprimindo sobretudo as mulheres, o povo e seus territórios”.A UBM reforçou ainda a dimensão política do movimento feminista presente no encontro. “É por isso, entre tantas coisas, que manifestamos nossa irmandade em defesa da autodeterminação dos povos. Levantamos nossas vozes, porque o feminismo busca um mundo de justiça social sem oprimidas ou opressoras”, afirmou a entidade, que também destacou a necessidade de “aprofundar a luta anti-imperialista, antipatriarcal, antioligárquica, antifascista e antirracista” e defender a libertação de Cilia Flores e Nicolás Maduro.