Díaz-Canel afirma que Cuba realiza diálogo com os Estados Unidos
Presidente cubano diz que conversas com Washington visam resolver diferenças bilaterais com respeito à soberania e cooperação regional
247 - O presidente de Cuba e primeiro-secretário do Partido Comunista, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou que autoridades cubanas mantêm conversas com representantes do governo dos Estados Unidos com o objetivo de buscar soluções para diferenças bilaterais por meio do diálogo. A declaração foi feita durante reunião com integrantes do Birô Político, do Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e do Comitê Executivo do Conselho de Ministros.
A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba (MINREX), em publicação no portal oficial do governo cubano. Segundo o comunicado reproduzido pelo Cubaminrex, o encontro abordou o estado atual das relações entre Havana e Washington.
De acordo com Díaz-Canel, o diálogo tem como propósito principal identificar os problemas existentes entre os dois países e estabelecer caminhos para solucioná-los. “Em consonância com a política consistente que a Revolução Cubana defendeu ao longo de sua história, e liderada pelo General do Exército como líder histórico de nossa Revolução e por mim, e em conjunto com as mais altas estruturas do Partido, do Estado e do Governo, autoridades cubanas realizaram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos”, declarou.
O chefe de Estado destacou que as negociações procuram avançar em temas concretos que afetam as relações bilaterais. “Estas conversações tiveram como objetivo encontrar soluções, através do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as nossas duas nações. Fatores internacionais facilitaram estes intercâmbios”, afirmou.
Identificação de problemas e possíveis soluções
Díaz-Canel explicou que as discussões se concentram em mapear os principais pontos de divergência e avaliar possíveis medidas práticas que possam beneficiar os dois povos. “O objetivo desta conversa é, em primeiro lugar, identificar os problemas bilaterais que necessitam de solução com base na sua gravidade e impacto e, em segundo lugar, encontrar soluções para esses problemas já identificados”, disse.
Segundo ele, as autoridades cubanas também pretendem verificar até que ponto existe disposição de ambas as partes para avançar em iniciativas concretas. “Pretendemos determinar a disposição de ambas as partes em tomar medidas concretas em benefício dos povos de ambos os países”, acrescentou.
O presidente também mencionou a possibilidade de ampliar a cooperação em temas relacionados à segurança regional. “Identificaremos áreas de cooperação para enfrentar ameaças e garantir a segurança e a paz de ambas as nações, bem como da região onde vivemos e trabalhamos, que é a América Latina e o Caribe”, declarou.
Processo conduzido com cautela
Durante sua intervenção, Díaz-Canel ressaltou que o governo cubano evita responder a especulações públicas sobre negociações diplomáticas desse tipo. Segundo ele, trata-se de um processo sensível que exige prudência e responsabilidade.
“É importante lembrar que não foi, nem é agora, prática da liderança da Revolução Cubana responder a campanhas especulativas sobre esse tipo de questão”, afirmou.
O presidente acrescentou que as conversas fazem parte de um esforço para reduzir tensões históricas entre os dois países. “Trata-se de um assunto que se desenrola como parte de um processo extremamente sensível, conduzido com seriedade e responsabilidade, pois afeta as relações bilaterais entre as duas nações e exige esforços enormes e significativos para encontrar soluções e criar espaços de entendimento que nos permitam superar o confronto”, disse.
Defesa da soberania cubana
Díaz-Canel destacou ainda que o governo cubano conduz as conversações com base no respeito mútuo entre os dois Estados. Segundo ele, a posição de Havana é clara quanto à necessidade de igualdade nas negociações.
“Nos diálogos realizados, nós, do lado cubano, expressamos nossa disposição em conduzir este processo com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, bem como à soberania e autodeterminação de nosso governo”, declarou.
O presidente concluiu afirmando que a proposta apresentada por Cuba leva em consideração a reciprocidade nas relações e o cumprimento das normas do direito internacional. “Esta proposta foi feita levando em consideração o senso de reciprocidade e a observância do direito internacional”, disse.
Leia a Íntegra do comunicado do MINREX cubano
Intervenção do Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz Canel Bermúdez, sobre o estado atual das relações com o governo dos Estados Unidos
Intervenção do Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz Canel Bermúdez, sobre o estado atual das relações com o governo dos Estados Unidos, em reunião com membros do Bureau Político, da Secretaria do Comitê Central do PCC e do Comitê Executivo do Conselho de Ministros.
“Em consonância com a política consistente que a Revolução Cubana defendeu ao longo de sua história, e liderada pelo General do Exército como líder histórico de nossa Revolução e por mim, e em conjunto com as mais altas estruturas do Partido, do Estado e do Governo, autoridades cubanas realizaram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos. Estas conversações tiveram como objetivo encontrar soluções, através do diálogo, para as diferenças bilaterais entre as nossas duas nações. Fatores internacionais facilitaram estas trocas.
O objetivo desta conversa é, em primeiro lugar, identificar os problemas bilaterais que necessitam de solução com base na sua gravidade e impacto e, em segundo lugar, encontrar soluções para esses problemas já identificados. Além disso, pretendemos determinar a disposição de ambas as partes em tomar medidas concretas em benefício dos povos de ambos os países. Ademais, identificaremos áreas de cooperação para enfrentar ameaças e garantir a segurança e a paz de ambas as nações, bem como da região onde vivemos e trabalhamos, que é a América Latina e o Caribe.
É importante lembrar que não foi, nem é agora, prática da liderança da Revolução Cubana responder a campanhas especulativas sobre esse tipo de questão. Trata-se de um assunto que se desenrola como parte de um processo extremamente sensível, conduzido com seriedade e responsabilidade, pois afeta as relações bilaterais entre as duas nações e exige esforços enormes e significativos para encontrar soluções e criar espaços de entendimento que nos permitam superar o confronto.
Nos diálogos realizados, nós, do lado cubano, expressamos nossa disposição em conduzir este processo com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, bem como à soberania e autodeterminação de nosso governo. Esta proposta foi feita levando em consideração o senso de reciprocidade e a observância do direito internacional.”