Exportações da América Latina para China avançam 25% em 2026
Relatório do BID mostra forte expansão das vendas latino-americanas ao mercado chinês no primeiro trimestre, impulsionada por commodities
247 - A China consolidou-se como o mercado de maior crescimento para as exportações da América Latina no primeiro trimestre de 2026. De acordo com um relatório divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as vendas da região para o país asiático avançaram 25% em comparação com o mesmo período do ano passado, superando o ritmo de expansão registrado em outros importantes destinos comerciais.
As informações foram publicadas originalmente pela newsletter China, Terra do Meio, da Folha de S.Paulo, com base em dados do BID divulgados nesta terça-feira (17). Apesar do forte desempenho chinês, os Estados Unidos permanecem como o principal comprador dos produtos latino-americanos, sustentados sobretudo pelo intenso intercâmbio comercial com México e países da América Central.
No conjunto, as exportações da América Latina cresceram quase 16% no primeiro trimestre deste ano, mais que o dobro da expansão observada em 2025, quando o avanço havia sido de 6,4%. Além da China, outros mercados também ampliaram suas compras de produtos latino-americanos. As exportações para o restante da Ásia aumentaram 24%, para a União Europeia cresceram 19% e para os Estados Unidos avançaram 14%.
China amplia influência comercial na América do Sul
Embora os Estados Unidos mantenham a liderança como principal destino das exportações da região, a composição geográfica desse comércio revela diferenças importantes. O mercado norte-americano concentra suas compras principalmente no México e na América Central, enquanto a China direciona grande parte de sua demanda para países sul-americanos, especialmente o Brasil.
Segundo a análise apresentada pelo BID, a aceleração das vendas para a China prolonga uma tendência iniciada no segundo semestre de 2025. No ano passado, as importações chinesas provenientes da América Latina permaneceram estáveis na média anual, após uma retração nos primeiros meses e recuperação posterior.
Na América do Sul, o impacto chinês foi ainda mais significativo. O relatório aponta que o país asiático respondeu por 40% de todo o aumento das exportações sul-americanas em 2025, consolidando-se como um dos principais motores do crescimento externo da região.
Commodities explicam parte do crescimento
O desempenho exportador latino-americano ocorre em um contexto de crescente disputa geopolítica entre Washington e Pequim. Enquanto a China amplia sua presença econômica na América do Sul, os Estados Unidos buscam estimular países da região a reduzir sua dependência de investimentos e parcerias chinesas em áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura portuária, minerais e tecnologia.
No caso brasileiro, as exportações registraram crescimento anual de 1,8%, impulsionadas principalmente pela demanda chinesa e pelo comércio com países vizinhos da América do Sul. O resultado ocorre em meio ao cenário internacional marcado pelas tarifas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar dos números positivos, o BID alerta para um fator de vulnerabilidade. Grande parte do avanço das exportações está associada à valorização de um grupo restrito de commodities, especialmente ouro e cobre, e não à diversificação da pauta exportadora latino-americana.
Riscos para a região permanecem no horizonte
A dependência de matérias-primas continua sendo uma característica central da relação comercial entre América do Sul e China. O fortalecimento dessa dinâmica reforça o papel da região como fornecedora de recursos naturais para a economia chinesa.
Segundo o BID, uma eventual queda nos preços internacionais dessas commodities poderia comprometer o atual ciclo de crescimento das exportações. A instituição projeta a possibilidade de reversão dos preços, o que aumentaria a exposição das economias latino-americanas às oscilações do mercado global.
Nesse cenário, a continuidade da disputa estratégica entre Estados Unidos e China pode ampliar os desafios para os países da região, que buscam equilibrar interesses comerciais, investimentos externos e oportunidades de desenvolvimento econômico em um ambiente internacional cada vez mais competitivo.
