Governo da Colômbia e maior dissidência das FARC adiam diálogo e cessar-fogo
A reunião, em Tibú, no departamento de Norte de Santander, foi marcada por tensões, após representantes de diversas regiões subirem ao palco para exigir o cessar-fogo
Télam - O Governo da Colômbia e o Estado Maior Conjunto (EMC), a facção mais numerosa das dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que não assinaram o acordo de paz de 2016, comprometeram-se hoje apenas a "suspender as ações ofensivas" a partir desta noite, mas adiaram os objetivos iniciais de cessar-fogo e início de uma mesa de negociação.
"A partir de hoje, ambas as partes decidiram parar a guerra e continuar com o Processo de Paz iniciado entre o Estado Colombiano e o Estado Maior Central das FARC-EP, como forma de concretizar uma paz estável e duradoura com justiça social e ambiental", informaram as partes em comunicado.
Comprometeram-se apenas a "suspender as ações ofensivas como mecanismo para proteger a população civil e reduzir os efeitos do confronto", de acordo com o texto.
No entanto, o objetivo inicial era iniciar hoje mesmo o Cessar-Fogo Bilateral Temporário Nacional e Territorial (CFBTNT) e abrir uma mesa de negociação formal para alcançar o desarmamento da organização.
Sobre esses pontos, as delegações declararam que "é necessário um maior preparo prévio, para implementar todos os mecanismos necessários para o CFBTNT, que têm um foco especial na proteção da população civil".
Nesse sentido, as partes informaram que no dia 16 deste mês, o governo do presidente Gustavo Petro "emitirá o Decreto definitivo de Cessar-Fogo para facilitar a continuidade deste processo".
Nesse mesmo dia, "terminará a fase exploratória e de preparação, dando início formal ao processo de Diálogo de Paz com a instalação da Mesa", apontaram no documento.
A reunião, realizada em um ginásio na cidade de Tibú, no departamento de Norte de Santander, foi marcada por tensões, após representantes de diversas regiões subirem ao palco para exigir o cessar-fogo, segundo os jornais colombianos El Tiempo e El Espectador.
Este gesto de protesto visava responsabilizar o Executivo pela falta de um acordo.
A incerteza aumentou quando Andrey Avendaño, porta-voz dessa guerrilha, deixou o palco.
Embora tenha retornado ao seu lugar minutos depois, ele permaneceu atrás do palco durante vários minutos discutindo com outro dos delegados da organização.
Mais tarde, as partes anunciaram o esquema que foi posteriormente registrado no comunicado conjunto.
O Alto Comissário para a Paz, Danilo Rueda, foi o responsável por anunciar que um acordo havia sido alcançado.
"Com a aprovação do presidente, foi decidido cessar a partir de hoje à meia-noite as operações ofensivas; damos o primeiro passo neste processo para abrir uma mesa que será construída nos territórios", disse Rueda.