Governo do direitista Kast suspende processo de regularização de imigrantes no Chile
Medida foi confirmada pelo Serviço Nacional de Migrações
247 - O governo do Chile decidiu suspender o processo de regularização de imigrantes iniciado na gestão anterior. A medida foi confirmada nesta segunda-feira (30) pelo Serviço Nacional de Migrações. A decisão foi tomada após a posse do presidente ultradireitista José Antonio Kast, que interrompeu um decreto preparado durante o mandato de Gabriel Boric.
Segundo a AFP, o documento previa a regularização de aproximadamente 182 mil pessoas que participaram de um cadastro voltado a estrangeiros que ingressaram no país sem documentação. De acordo com o diretor do Serviço Nacional de Migrações, Frank Sauerbaum, o atual governo optou por não seguir com a iniciativa.
"Não vamos realizar uma regularização em massa como foi proposto no governo de Boric", afirmou. Ele acrescentou que o decreto foi suspenso e mencionou que 6.000 dos solicitantes já teriam cometido algum tipo de delito. O órgão não detalhou quais infrações teriam sido registradas entre os imigrantes citados.
Política migratória
A política migratória foi um dos principais pontos da campanha de Kast, que defendeu medidas mais rígidas contra a imigração irregular, incluindo deportações em larga escala. Dados oficiais indicam que cerca de 337 mil estrangeiros vivem atualmente sem documentação no Chile, sendo a maioria composta por venezuelanos.
A suspensão da regularização ocorre menos de um mês após o início do novo governo. No dia 11, data da posse, Kast determinou a adoção de medidas voltadas ao reforço do controle nas fronteiras do país.
Construção de muros e valas
Entre as ações, está a construção de muros e valas em áreas de fronteira com Bolívia e Peru. A iniciativa integra o chamado Plano Escudo de Fronteira, que prevê alterações para reduzir a entrada irregular de estrangeiros e ampliar o uso da força no combate a travessias clandestinas.
O plano também inclui o aumento de recursos militares na região norte, além da ampliação da vigilância com o uso de drones e sensores. Outra frente adotada pelo governo foi o envio de dois projetos de lei ao Parlamento. Um deles propõe punições a pessoas que auxiliem a entrada irregular no país. O outro busca transformar em crime a imigração ilegal.


