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O FMI "não soube acompanhar os tempos" na América Latina

A relação entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a América Latina atravessa um momento difícil, em meio à crescente polêmica entre os que defendem a entidade e os que a acusam de ingerência

Logo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é visto em sede, em Washington (Foto: REUTERS/Yuri Gripas)

Sputnik - O doutor em Economia Aplicada Guillermo Oglietti, vice-diretor do Centro Latino-Americano de Geopolítica da Argentina, falou com o 'Telescópio' sobre a atual relação da região com o Fundo Monetário Internacional.

A relação entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a América Latina atravessa um momento difícil, em meio à crescente polêmica entre os que defendem a entidade e os que a acusam de ingerência.

Entrevistado no Telescopio, o médico garantiu que o poder do FMI reside em que "pode ​​rejeitar discriminatoriamente os pedidos de crédito, exigir políticas antipopulares sem assumir responsabilidades" e até "ignorar a legitimidade de um governo".

O também vice-diretor do Centro Latino-Americano de Geopolítica da Argentina, apresentou relatório que mostra as carências do FMI e a parcialidade de seus dirigentes, entre outras conclusões de sua pesquisa junto com o graduado em Ciência Política Leandro Vergara.

“Uma das características do Fundo é a relutância em emprestar recursos a governos eleitos democraticamente. Um terço dos empréstimos concedidos na América Latina foi para governos golpistas como os do Chile, Argentina e Uruguai”, lembrou.

Oglietti referiu-se a "outro viés da instituição, que está ligado a governos que não têm ambições soberanas".

“A América Latina continua colonizada de fato por aspectos econômicos e se vê com persistência como os países governados com políticas soberanistas, e que se afastaram dos mandatos do FMI, têm recebido pouco crédito”.

O advogado considerou que a estrutura da organização internacional "não tem conseguido se adaptar" aos tempos atuais. E ele enfatizou o que descreveu como falta de moral dos membros da organização.

“Com tanto poder administrado pelo Fundo, seriam necessários muitos controles para deter a má conduta, mas na realidade o oposto é observado. Eu li todos os estatutos e protocolos e em nenhum lugar foram estabelecidas sanções efetivas”, disse Oglietti.
“A própria assessoria de avaliação independente do FMI criticou a escassa existência de um sistema de sanções. Tudo pode acontecer dentro da instituição e sabe-se que quando alguém tem tanto poder é muito difícil não usá-lo e isso leva ao vazamento de informações", declarou.

Neste esquema operacional “quem se beneficiou são os membros da burguesia financeira internacional que controla o setor com um escandaloso sistema de portas giratórias”, concluiu.