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Peruanos vão às urnas neste domingo para escolher entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez em meio a crise política

Candidatos disputam a Presidência em um país marcado por sucessivas trocas de governo, confrontos entre os Poderes e forte rejeição ao Congresso

Keiko Fujimori cumprimenta Roberto Sanchez, seu adversário no segundo turno, durante um debate televisionado em Lima, Peru, em 31 de maio (Foto: Alessandro Cinque/Reuters)
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247 - Os peruanos voltam às urnas neste domingo (7) para decidir quem comandará o país pelos próximos cinco anos. A disputa presidencial coloca frente a frente Keiko Fujimori, líder do partido Força Popular e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e Roberto Sánchez, representante do Juntos pelo Peru. O vencedor herdará um cenário de instabilidade institucional que marcou a política peruana na última década.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, o próximo presidente terá como principal desafio a convivência com um Congresso que acumulou enorme poder nos últimos anos e que foi responsável pela destituição de quatro presidentes em apenas uma década. A relação entre Executivo e Legislativo tornou-se um dos principais fatores de instabilidade política no país.

A eleição ocorre em meio ao desgaste das instituições e à desconfiança crescente da população em relação aos representantes políticos. Para muitos analistas, a capacidade de articulação com o Parlamento será tão importante quanto o resultado das urnas para garantir a governabilidade.

Congresso ampliou influência sobre a política peruana

Desde 2016, quando o último presidente conseguiu concluir integralmente seu mandato, o Peru vive uma sequência de crises políticas que fortaleceu o papel do Congresso. O Legislativo passou a exercer influência decisiva sobre a permanência dos governos e sobre os rumos da administração pública.

O resultado foi uma dinâmica que, embora ocorra dentro de um sistema presidencialista, aproximou o país de uma lógica parlamentarista, na qual a sobrevivência política do chefe de Estado depende cada vez mais da correlação de forças no Parlamento.

A ampliação desse protagonismo, porém, não veio acompanhada de maior aprovação popular. Pelo contrário, o Congresso tornou-se uma das instituições mais rejeitadas pelos peruanos.

Desaprovação supera 90% entre os eleitores

Pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Peruanos em maio de 2025 apontou que 93% da população desaprovam a atuação do Congresso. O índice permanece acima dos 90% desde março de 2023, evidenciando um profundo desgaste da instituição perante a sociedade.

A insatisfação dos eleitores também ficou evidente nas eleições legislativas. Influenciados pela campanha #PorEstosNo, que incentivava a renovação política, os peruanos reconduziram apenas 24 dos 130 parlamentares ao Congresso.

O resultado foi interpretado como uma demonstração clara de rejeição à classe política tradicional, embora isso não tenha impedido o Legislativo de continuar ampliando seu espaço institucional.

Retorno do Senado gera debate sobre estabilidade

Em 2024, o Congresso aprovou a recriação do Senado, extinto em 1992 durante o governo de Alberto Fujimori. A medida avançou apesar de ter sido rejeitada por 90,5% dos eleitores em um referendo realizado em 2018.

A nova configuração bicameral entrará em vigor em julho deste ano e já provoca divergências entre especialistas. Alguns avaliam que o retorno da Câmara alta poderá fortalecer ainda mais o Legislativo diante do Executivo.

Outros defendem que a exigência de votações em duas Casas poderá aumentar a estabilidade política, criando mecanismos adicionais de negociação e reduzindo decisões tomadas de forma precipitada.

Distribuição das cadeiras exigirá acordos políticos

Os resultados das eleições legislativas indicam que nenhum dos grupos políticos terá controle absoluto sobre o Parlamento. O Força Popular, de Keiko Fujimori, seguirá como a maior bancada.

A legenda conquistou 41 das 130 cadeiras da Câmara dos Deputados e 22 dos 60 assentos do Senado. Já o Juntos pelo Peru, partido de Roberto Sánchez, obteve 32 cadeiras na Câmara e 14 no Senado.

Embora Keiko tenha vantagem na composição parlamentar, o cenário exige negociações constantes. A fragmentação política deverá obrigar qualquer futuro governo a construir alianças para aprovar projetos e garantir estabilidade institucional.

Candidatos prometem diálogo e governabilidade

Durante o encerramento de sua campanha, Roberto Sánchez afirmou que pretende buscar apoio parlamentar para formar "a nova bancada do governo do povo". O candidato também declarou: "Restauraremos a democracia e o equilíbrio entre os Poderes".

Defensor da convocação de uma nova Assembleia Constituinte, Sánchez tem apresentado a reforma institucional como uma das prioridades de seu eventual governo.

Keiko Fujimori, por sua vez, afirmou que pretende montar uma administração baseada em critérios técnicos. Em discurso de campanha, declarou que seu governo contará com "os melhores especialistas, independentemente de filiação política". A candidata acrescentou: "Com gratidão aos membros do nosso partido, vamos abrir as portas; será um governo tecnocrático e, claro, um governo de cinco anos".

Desafios estruturais continuam no centro do debate

Apesar das promessas de estabilidade feitas pelos dois candidatos, especialistas apontam que os principais problemas estruturais da política peruana permanecem sem solução.

Entre eles estão os frequentes casos de corrupção, a fragilidade do sistema partidário e a facilidade para criação de legendas, fatores que contribuem para a fragmentação política e para a dificuldade de construção de consensos duradouros.

Independentemente de quem saia vencedor neste domingo, o próximo presidente terá diante de si a missão de governar um país onde as disputas entre os Poderes se tornaram uma característica permanente da vida política nacional.